No dia 15 de Junho de 1989, os Nirvana de Kurt Cobain estreavam-se com "Bleach", um trabalho violentamente cru que não conseguiria rivalizar com... Nirvana: 30 anos de “Bleach”

No dia 15 de Junho de 1989, os Nirvana de Kurt Cobain estreavam-se com “Bleach”, um trabalho violentamente cru que não conseguiria rivalizar com o sucessor “Nevermind” (1991) ou até “In Utero” (1993), mas que com a sua sonoridade suja, obscura e definitivamente punk, via os Nirvana darem os primeiros passos rumo à revolução definitiva da cultura pop. Antes de abordar a sua batalha com a fama, a pressão de que era alvo e a toxicodependência, Kurt Cobain vocalizava problemas familiares, da adolescência, do bullying e do domínio masculino, aumentando o nível de complexidade das suas letras à medida que a banda de Seattle amadurecia.

“Bleach” exultava a ambição dos Nirvana em faixas como “Blew” (seria o tema escolhido para fechar os concertos durante as datas que se seguiram), nos três minutos de puro grunge de “Negative Creep”, ou até em “Love Buzz”, um tema original dos holandeses Shocking Blue. Outros diamantes em bruto são encontrados nas menos rodadas “Swap Meet”, “Sifting” ou “Big Cheese”, temas que ofereciam um tipo de peso que não era encontrado nas propostas dos seus conterrâneos Soundgarden ou Mudhoney.

E claro, quem não se recorda da melodia de “About A Girl”, um tributo à sonoridade dos The Beatles que fala de uma relação disfuncional e que passou despercebido até ao “MTV Unplugged”? Esta seria a primeira grande obra-prima de Kurt Cobain, e aqui, a par do que conseguiu em “Love Buzz”, o músico apresentava uma canção de amor não convencional, soando diferente de tudo o resto no álbum, quase como se em “Bleach” tivéssemos três vocalistas ao invés de um.

“Bleach”, que via os Nirvana ainda sem o contributo de Dave Grohl na bateria, é um disco que sobreviveu ao teste do tempo e que não merece, de todo, ficar à sombra da restante discografia de uma banda que mudou o mundo.