Os Nile estão de regresso com “Vile Nilotic Rites”, disco lançado pela Nuclear Blast Records a 1 de Novembro do corrente, e por isso... Karl Sanders (Nile): «Obtive a maior parte das ideias para a faixa “We Are Cursed” no Uber de Sacara ao Cairo»

Os Nile estão de regresso com “Vile Nilotic Rites”, disco lançado pela Nuclear Blast Records a 1 de Novembro do corrente, e por isso entrevistámos o eterno mentor da banda, o guitarrista e principal compositor Karl Sanders, que concordou que o som do grupo sofreu uma actualização para 2019. Dá para perceber o esforço investido no novo disco, que é quase obsessivo, indicando que a banda se encontrava num impasse e que decidiu tomar novamente as rédeas. Sanders explica: «Se queríamos continuar, teríamos de o fazer investindo o nosso melhor, caso contrário, de que é que valeria? Não queria continuar a seguir o mesmo caminho – estava na altura de entrar novamente no caminho certo e dar o nosso melhor. Tanto a banda o merece, como nós o merecemos: ou dávamos o nosso melhor ou nem valia a pena fazer nada.»

“Vile Nilotic Rites” é puro Nile. Iniciado há cerca de quatro anos, demorou cerca de um ano a produzir, demonstrando que a banda está comprometida a fazer o seu melhor, quase como se estivesse prestes a lançar o seu disco de estreia e tivesse de dar a melhor impressão possível. Embora os Nile já não tenham de provar nada a ninguém, a tal decisão de tomar novamente as rédeas deve ter alterado o estado de espírito da banda durante todo o processo criativo. «Tratámo-lo como se fosse o nosso disco de estreia. Uma coisa que reparei foi que, no nosso disco debutante, “Among The Catacombs Of Nephren-Ka”, tivemos imenso tempo para o fazer, visto ser a nossa estreia, claro. E eu quis ter tempo suficiente para este novo álbum, para escrever cada música e tratar da pré-produção de forma a que o resultado fosse idêntico ao do primeiro. Se demoras cinco minutos a compor uma música, como é que sabes que é a melhor que consegues compor? Não sabes. Se queres fazer algo digno de ser ouvido, tens de lhe dedicar algum tempo.»

Esse tempo traduz-se por mais arranjos sinfónicos e épicos, incluindo a reutilização do bağlama saz e de vozes femininas mais épicas, bem como toques orquestrais, principalmente em “Thus Sayeth The Parasites Of The Mind”. Partimos do princípio de que todo esse tempo possibilitou à banda rejuvenescer a sua fórmula, ainda que mantendo a assinatura dos Nile. «Estamos em 2019 e a fasquia subiu muito desde que os Nile foram criados há 25 anos. As expectativas, tanto da parte do ouvinte como da parte da banda, sobre como deve soar um disco em 2019, sobre o tipo de disco que queremos fazer, são muito maiores. Além disso, as ferramentas de que dispomos em 2019 são muito melhores do que as de 1996. Logo, em 2019 há maiores possibilidades de fazer as coisas obtendo um bom resultado.»

Além dos temas clássicos abordados pelos Nile (Civilização Egípcia e um pouco de H. P. Lovecraft), a banda também fala um pouco sobre o Império Romano, traçando uma comparação inteligente entre a sua queda e a muito provável queda da nossa civilização muito em breve. «Acredito que as pessoas da actualidade partilham o mesmo sentimento, a mesma premonição de que, provavelmente, no futuro próximo, durante a próxima geração ou duas, a Humanidade provavelmente extinguir-se-á. Provavelmente. Há tanta forma de isto acontecer. A um nível de instinto, todos sabemos que estamos a presenciar a existência das nossas últimas gerações. Assim, penso: será que os egípcios sabiam que também estavam condenados antes de a sua civilização se ter extinguido? Parece-me que sim. E nós sabemos disso! Sabêmo-lo na parte frontal do nosso cérebro, academicamente falando. Até porque o cidadão comum actual é relativamente bem-formado e todos dispomos de informação abundante de imensas fontes. Mas não me refiro a essa consciência da nossa extinção de forma intelectual, antes àquilo que sentes no teu estômago – consegues senti-lo, consegues mesmo senti-lo!»

No fim, a Metal Hammer Portugal confidenciou a Karl Sanders que partilha um amigo em comum com o vocalista – Nader Sadek, que nos falou recentemente sobre a visita de Sanders ao Egipto a convite de Sadek. Sabemos que um dos sonhos de Sanders era visitar o Egipto por motivos mais do que óbvios e a questão que se coloca é o quanto essa visita teria influenciado o novo disco, visto que certamente o vocalista deve ter aproveitado muito do que viu para se inspirar na composição de “Vile Nilotic Rites”. Além disso, tudo indica que foi um sonho tornado realidade para Karl Sanders. «Pá, tive tantas ideias que aproveitei depois de visitar os locais históricos e as expedições que fizemos, em particular no dia em que fomos a Abusir, uma localidade próxima de Sacara com ruínas de pirâmides, todas decadentes. Foi muito inspirador. Obtive a maior parte das ideias para a faixa “We Are Cursed” no Uber de regresso de Sacara ao Cairo. Escrevi a música toda mentalmente na viagem. Assim, dentro do carro! Foi muito fácil de a compor quando regressei aos Estados unidos, pois a visita ao Egipto marcou-me profundamente. E sim, presenciar ao vivo tudo aquilo sobre o que tenho escrito e falado ao longo de tantos anos foi uma concretização que andava a querer fazer já há muito tempo.»

Rastilho apresenta: Torre de Controlo #9 – Nile & Vanhelga

Neste novo episódio da Torre de Controlo, a Rastilho Records e a Metal Hammer Portugal trazem-vos entrevistas com Karl Sanders, dos Nile, para nos falar de “Vile Nilotic Rites”. Recebemos também 145188, dos Vanhelga, que falou-nos do período em que esteve isolado numa ala psiquiátrica, experiência que resultou no lançamento do EP “LPT”.

Publicado por Metal Hammer Portugal em Sexta-feira, 1 de novembro de 2019