Nascido no Canadá a 12 de Setembro de 1952, Neil Peart seria considerado um dos maiores e mais acarinhados bateristas da história do rock.... Neil Peart (1952-2020): de frustrado a herói do rock
Foto: cortesia rush.com

Nascido no Canadá a 12 de Setembro de 1952, Neil Peart seria considerado um dos maiores e mais acarinhados bateristas da história do rock.

Depois de, ainda jovem, lutar fortemente para se tornar um baterista de sucesso no seu país – o que não aconteceu -, Neil decidiu ir para Londres à procura de novas e melhores oportunidades. Em Inglaterra também não foi feliz e cerca de um ano e meio depois regressou ao Canadá.

De volta, Neil foi recrutado por uma banda chamada Hush que tocava num circuito de bares em Ontário. Entretanto, o músico foi persuadido a ir fazer uma audição a uma banda de Toronto com um nome semelhante – Rush.

Segundo Geddy Lee e Alex Lifeson, a chegada de Neil Peart foi algo cómica, já que o futuro colega aparecera de calções num Ford Pinto em cangalhos. Peart e Lee deram-se imediatamente bem a nível pessoal porque partilhavam gostos semelhantes em relação a livros e música, mas Lifeson só seria conquistado mais tarde. Todavia, o estilo maníaco inspirado em Keith Moon (The Who) foi aceite e Neil entrava nos Rush em Julho de 1974, duas semanas antes de a banda partir em digressão pelos EUA com Uriah Heep e Manfred Mann. O primeiro concerto aconteceu em Agosto desse ano em Pittsburgh, Pennsylvania.

Acto contínuo, não só se tornava no baterista de Rush como também viria a escrever letras quando os colegas perceberam que estava ali um enorme talento com palavras. O primeiro álbum de Neil com Rush foi “Fly By Night” (1975).

Numa banda com um conceito lírico que incidia em fantasia e mitologia, o álbum “Permanent Waves” (1980) mostrou Peart a explorar conteúdos mais realistas e modernos. Assim, daí para a frente, as letras de Peart começaram a mostrar perspectivas conceptuais referentes a temas sociais, emocionais e humanitários em que metáforas e representações simbólicas eram ferramentas de uso recorrente.

Contudo, o baterista fora realmente reconhecido pelos seus solos exóticos e com passagens complexas, fazendo com que, a seu tempo, as suas execuções fossem incluídas nos alinhamentos dos álbuns ao vivo como uma faixa separada ou como vários interlúdios.

Retirado desde 2015, Neil Peart faleceu a 7 de Janeiro de 2020, vítima de um cancro cerebral que já tinha sido diagnosticado três anos e meio antes, mas que tinha sido mantido em segredo.

A notícia da sua morte foi revelada a 10 de Janeiro, com os Rush a fazerem uma declaração: «É com o coração partido e com profunda tristeza que temos de partilhar a terrível notícia de que […] o nosso amigo, irmão de alma e colega de banda ao longo de 45 anos, Neil, perdeu a sua incrivelmente corajosa batalha de três anos e meio com um cancro cerebral.»

Neil Peart tinha 67 anos e ficará para a posteridade como um nome incontestável entre bateristas.