É com uma particular subtileza que abrem uma passagem directa para o sexto e sétimo níveis do Inferno, onde a heresia se combina com... Necrowretch “The Ones from Hell”

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 14.02.2020
Género: blackened death metal
Nota: 3.5/5

Foi já há algum tempo que estes franceses deixaram de ser um nome estranho no panorama do blackened death metal, contando já com mais de 11 anos de carreira. Sem dúvida que o lançamento de três álbuns, e outros tantos EP e demos, terá contribuído para isso, mas é sobretudo com “Satanic Slavery” (2017) que se apuram as influências black neste registo e se nota um salto considerável no que diz respeito à popularidade da banda. Quatro anos depois de se juntarem à família da Season of Mist, lançam o seu quarto álbum, “The Ones From Hell”, e revelam-se novamente capazes de criar um registo absolutamente macabro, onde conjuras e evocações representam um mero presságio. Presságio esse devidamente carregado pela introdução acústica que se faz ouvir nos 64 segundos após carregar no play.

É então com uma particular subtileza que abrem uma passagem directa para o sexto e sétimo níveis do Inferno, onde a heresia se combina com a violência para criar algumas das mais desconfortáveis combinações de cordas, percussão e voz. Apresentam-nos o primeiro riff orelhudo, integrante de um considerável conjunto que se espalha ao longo destes 37 minutos, e pouco mais de dois minutos são quanto baste para que sejamos atingidos pela primeira valente descarga de blast-beats.

O epítome do blackened desta banda surge com “Luciferian Sovranty”, onde uma bateria incansável nos persegue e uma voz grave nos arrasta para territórios menos seguros. É também aqui que se pode notar pela primeira vez um ligeiro desequilíbrio na produção, pela sobreposição de voz e percussão às cordas. Ainda assim, a guitarra consegue rapidamente ocupar um lugar de destaque em temas como “Codex Obscuritas” e “Through the Black Abyss”, em que se podem encontrar novamente algumas passagens acústicas. Lançam-se então para um terreno mais exploratório, onde a melodia contrasta com uma voz agressiva e ocasionais berros agoniantes, e a bateria se mantém imponente, mesmo nos momentos mais calmos e arrastados. Uma controlada dose de groove potencia alguns momentos de headbanging, sobretudo para quem tiver a oportunidade de ouvir estes temas ao vivo. “Necrowretch” fecha o álbum da melhor maneira, entregando também algum material precioso às mais ávidas almas do death metal old-school, num tom descaradamente castigador.