Editora: Iron Bonehead ProductionsData de lançamento: 21.02.2020Género: death/black metalNota: 4/5 Estrearam-se em 2017 com “Metal Negro da Morte”, e foi quanto bastou para que... Necrobode “Sob o Feitiço do Necrobode”

Editora: Iron Bonehead Productions
Data de lançamento: 21.02.2020
Género: death/black metal
Nota: 4/5

Estrearam-se em 2017 com “Metal Negro da Morte”, e foi quanto bastou para que marcassem presença nos palcos portugueses passados apenas quatro meses desde o lançamento desse EP. Em 2018 acompanharam Profanatica e Rites of Thy Degringolade em palco, onde tiveram também a oportunidade de brindar os presentes com uma cover de “The Gate of Nanna”, original de Beherit. Ora, tudo isto deverá já deixar-vos com uma clara ideia do nicho musical em que este trio se insere. Death e black metal bestial a preceito, mas sem cerimónias, a par e passo do registo que encontramos em bandas como Blood, Demoncy e Beherit, obviamente.

Uma voz profética anuncia que estamos “Sob o Feitiço do Necrobode”, e “Tumba Universal” atinge-nos de imediato com uma retumbante descarga de blast-beats e riffs absolutamente corrosivos, surpreendendo até os ouvidos menos atentos. Um dos pontos fortes é a facilidade com que se alternam dinâmicas de ritmo, passando do marcado registo frio e cruel do black metal para tons mais cavernosos e arrastados, típicos nas passagens mid-tempo do death metal. Os temas são curtos, mas trabalhados ao detalhe, sem se perderem na produção crua, como se pede num registo deste tipo.

Sem grandes explicações ou interlúdios, o assalto mantém-se durante meia hora, sempre com recurso à bateria impiedosa, baixo castigador e demoníacos, mas memoráveis, riffs de guitarra. A voz, que varia entre tons graves distorcidos e ocasionais berros agoniantes, contribui para a construção desta atmosfera digna de qualquer câmara de tortura.

“Satanás Governa” entrega-nos um dos primeiros riffs capazes de ecoar nos ouvidos durante semanas, e “Algol” é apenas um dos bons exemplos no que toca a dinâmica de tempos. Num registo tão coeso torna-se praticamente impossível destacar temas, mas “Culto da Intolerância” e “Penetração Diabólica” seriam muito provavelmente os eleitos se pedissem uma amostra do que a banda é capaz de fazer.

Coincidência ou não, terminam este álbum de estreia da mesma maneira que o EP, num tom mais ritualista, abrindo as portas para outra dimensão. Transformam então “Profanação Litúrgica” em “Litúrgica Profanação”, em que, para além dos cantos gregorianos, pode-se também ouvir o que será estática ou o crepitar das chamas do inferno.