Chiara Tricarico é facilmente uma das vocalistas de symphonic metal mais versáteis do nosso tempo. Moonlight Haze “Lunaris”

Editora: Scarlet Records
Data de lançamento: 12.06.2020
Género: symphonic metal
Nota: 4/5

Chiara Tricarico é facilmente uma das vocalistas de symphonic metal mais versáteis do nosso tempo.

Quando se fala em metal italiano, Lacuna Coil e Luca Turilli (com todas as suas versões de Rhapsody e Rhapsody Of Fire) são os primeiros nomes mencionados em qualquer conversa. Contudo, a cena italiana tem vindo a prosperar de forma explosiva nos últimos anos com bandas ligadas ao heavy metal e symphonic metal, como Frozen Crown, Temperance, Kalidia e Moonlight Haze, estes que têm em “Lunaris” o seu segundo álbum lançado pela Scarlet Records, uma editora que também tem culpa neste crescimento absoluto do metal italiano.

Fundados por Chiara Tricarico (voz) e Giulio Capone (bateria), ambos vindos de Temperance, os Moonlight Haze têm tudo para ficar na história do metal italiano e sinfónico com um disco repleto de cores garridas e boas vibrações, tudo à custa de portentosas orquestrações e arranjos que vão do clássico à pop, originando-se um ambiente contemporâneo que ao mesmo tempo que respeita as fundações também as torna evolutivas.

Ainda que dentro do symphonic metal, “Lunaris” consegue ser muito diversificado: “The Rabbit of the Moon” apresenta-se energética e ampla com uma orquestração influenciada pela cultura nipónica, o tema-título e “Under Your Spell” introduzem a guitarra acústica, “Enigma” é cantada em italiano e possui um solo de tons arábicos, “The Dangerous Art of Overthinking” surpreende com growls e blast-beats, e “Of Birth and Death” é a balada folk.

Essencialmente épico, do rock e heavy metal ao speed metal, cheio de sons novos a acontecer aqui e acolá, a produção de “Lunaris” é top-notch, fornecendo-nos uma audição com volumes equilibrados, o que nos permite sentir cada detalhe praticamente na perfeição, especialmente em relação ao impacto da bateria e do baixo.

Por fim, o maior elogio tem de ser dirigido a Chiara Tricarico, facilmente uma das vocalistas de symphonic metal mais versáteis do nosso tempo ao lado de nomes como Charlotte Wessels (Delain) e Clémentine Delauney (Visions Of Atlantis), indo da suavidade angelical ao operático majestoso e vagueando equilibradamente entre o metal e a pop, tudo à custa de um talento que lhe pode ser natural mas que tem de ser nutrido com trabalho árduo.