Fundados em 2018, os sinfónicos e modernos Moonlight Haze surgem em 2020 com o segundo álbum “Lunaris”, que, de uma maneira geral, do folk... Chiara Tricarico (Moonlight Haze): «Há um pedaço dos nossos corações nas músicas e muita energia positiva»

Fundados em 2018, os sinfónicos e modernos Moonlight Haze surgem em 2020 com o segundo álbum “Lunaris”, que, de uma maneira geral, do folk ao heavy metal e do clássico à pop, actua como uma explosão de sentimentos, cores e boas vibrações. «Acho que “Lunaris” é uma experiência colorida, uma vez que há muitos estados de espírito e influências diferentes dentro das músicas», comenta o baterista Giulio Capone. Com os holofotes muitas vezes a apontarem mais para quem se ocupa do microfone, os italianos têm em Chiara Tricarico a sua vocalista, uma artista que, para a Metal Hammer Portugal, é, sem dúvida, uma das melhores vozes do nosso tempo no que ao metal melódico diz respeito e encontramos nela muita diversidade, tal como em vocalistas como Charlotte Wessels (Delain) e Clémentine Delauney (Visions Of Atlantis). O baterista retoma: «A Chiara é muito talentosa, e acho que, em Moonlight Haze, ela encontrou a banda certa para poder expressar as suas qualidades. Estamos todos bastante satisfeitos com o resultado de “Lunaris”.» Chiara, que se juntou à entrevista, corrobora: «Estamos todos muito orgulhosos e felizes com o resultado final do álbum, e estamos ansiosos por mostrar as novas músicas ao público. Sobre a ‘explosão de sentimentos’: sim, acertaram – há um pedaço dos nossos corações nas músicas e muita energia positiva. Esperamos mesmo que toda a gente perceba a profunda mensagem positiva de “Lunaris”.»

Todavia, a pandemia da Covid-19 veio destruir ou adiar muitos sonhos e objectivos – com Moonlight Haze não é diferente. «Como devem imaginar, lançar-se um álbum durante uma pandemia é um momento muito estranho», diz a vocalista. «É claro que tivemos de adiar alguns concertos que deveriam acontecer no Verão. Portanto, isso não será possível a curto prazo, mas esperamos que haja uma hipótese em breve, e, se tal não for possível nos próximos meses, então já estamos a avaliar formas alternativas, embora, obviamente, nada seja tão recompensador como termos um público real à frente de um palco real.»

Voltando ao álbum, as letras de “Lunaris” combinam temas actuais (como consciência e relacionamentos) com contos e lendas antigas, algo que deverá ser complexo e satisfatório ao mesmo tempo. «Muito, na verdade», assegura Chiara, que nos fala sobre o seu desenvolvimento e experiência enquanto letrista: «Acho realmente que escrever letras permite conhecer-me cada vez melhor, por isso é sempre uma jornada interessante pelas profundezas do meu interior. Analisar as minhas emoções e encontrar um elo nos escritos e lendas antigas faz parte dessa jornada e é a prova de que todos os seres humanos são capazes de um amplo espectro de sentimentos. Outro tema recorrente das nossas músicas é a relação entre a realidade ao nosso redor e como ela afecta o que somos, mas, ao mesmo tempo, como podemos perceber a mesma situação de maneiras diferentes, dependendo de nossa história pessoal, percepção e estado de espírito.»

Querendo-se dissecar um pouco mais a ala lírica do disco, o poder da Lua não está associado apenas ao nome da banda mas também a algumas músicas como “The Rabbit Of The Moon” e “Lunaris”. A italiana fala-nos dessas duas faixas: «A primeira é inspirada numa antiga lenda japonesa sobre um coelho generoso que se ofereceu em sacrifício para alimentar o Deus da Lua que desceu à Terra vestido como mendigo e sobre como a divindade decidiu salvá-lo e esculpir a sua silhueta na superfície do satélite para que todos se lembrem do seu gesto gentil. A segunda é sobre um processo de autodescoberta através da solidão e da profunda valorização das coisas simples, porém importantes, da vida, como o murmúrio do vento e a beleza das árvores, que muitas vezes tomamos por garantido.» Contudo, há um fio condutor que Chiara explica: «A luz da Lua e a noite em geral são a nossa principal fonte de inspiração. Muitas das nossas músicas são escritas e estabelecidas à noite. Isso dá-nos a hipótese de estarmos ligados a uma dimensão onírica, o que é recorrente nas nossas músicas. De qualquer forma, eu diria que a natureza em geral é uma grande fonte de inspiração.»

Itália está a viver uma explosão de bandas novas ou em rápido crescimento, como Moonlight Haze, Frozen Crown, Temperance ou Kalidia, e a Scarlet Records está a fazer um trabalho surpreendente em torno disso. Porém, Giulio vê o panorama de uma forma mais individual mas nunca competitiva: «Na verdade, não sentimos que pertencemos necessariamente a uma determinada cena. Tocamos a música que gostamos exactamente da maneira que gostamos, apenas porque é isso que nos faz felizes. Portanto, não sentimos pressão ou competição e continuamos a compor apenas seguindo o nosso fluxo de inspiração. De qualquer forma, estamos gratos à Scarlet Records por acreditar em nós desde o início e pelo bom trabalho que estão a fazer com Moonlight Haze!»

Como Emma Cownley (Metal Hammer UK) escreveu, o female-fronted metal enquanto rótulo tem de morrer porque não define um estilo musical, mas ajuda-nos a escolher entre homens e mulheres. Todavia não podemos fugir à realidade de que a cena metal italiana tem-nos feito descobrir muitas mulheres talentosas, como em Moonlight Haze. Observando-se e sentindo-se sempre, pelo menos na nossa óptica, a arte como uma força conjunta entre seres humanos e não através de perspectivas de sexo, pedimos, por fim, a Chiara que deixasse a sua visão, sempre com o comprometimento de que o grupo deseja criar música sem fronteiras: «Quando começámos, queríamos apenas que a nossa banda fosse uma mistura de power e symphonic metal combinado com qualquer outra coisa que pudéssemos gostar (folk, eletro, pop) sem pertencer a uma categoria estrita. Portanto, estamos definitivamente comprometidos em criar música sem aderir a qualquer limite. O facto de haver uma cantora era apenas algo aleatório e… sim, sou mulher! E então? Tenho um certo alcance vocal e soo de uma certa maneira (ok, o corpo impõe algumas diferenças vocais entre homens e mulheres, assim como nalgumas outras actividades, como certos desportos), mas acho que o sexo de quem canta não deve definir o género da banda. Se pensar em mim do lado artístico, sinto-me um ser humano que tem a necessidade de expressar sentimentos através da música e é isso que estou a fazer… Portanto, o que é que isso tem a ver com o facto de eu ser mulher?» Exactamente, nada.

“Lunaris” é o título do segundo álbum dos Moonlight Haze e tem data de lançamento pela Scarlet Records a 12 de Junho de 2020. Lê a review AQUI.