Os Metallica reúnem-se com a San Francisco Symphony Orchestra no "S&M 2" - e os resultados são maiores, mais ousados ​​e... Metallica “S&M 2”

Editora: Vertigo
Data de lançamento: 28.08.2020
Género: metal / clássico
Nota: 4/5

Os Metallica reuniram-se com a San Francisco Symphony Orchestra neste “S&M 2” – e os resultados são maiores, mais ousados ​​e mais brilhantes do que nunca.

Um apetite insaciável pelo risco e um compromisso com a inovação são características que definem todos os grandes artistas. Não é surpreendente, portanto, que os Metallica se sintam confortavelmente no topo do panteão do heavy metal como um dos seus filhos com maior sucesso. Não satisfeito com o pioneirismo do thrash metal e com a venda de dezenas de milhões de discos ao longo do caminho, o quinteto de San Francisco passou os anos seguintes a fazer experiências com o seu som particular, obtendo-se resultados dramáticos e muitas vezes polarizadores.

De um lado, está o rolo compressor comercial conhecido como “Black Album” e do outro está o amargamente brutalizado “Lulu”. Em 1999, apresentaram um conjunto de clássicos de Metallica acompanhados pela San Francisco Symphony (SFS), que lançaram no final daquele ano como “S&M”. Os cépticos que se danem, o espectáculo foi um grande sucesso. As actuações injectaram uma frescura revigorante nos originais, e não só houve concertos adicionais em Nova Iorque e Berlim como o lançamento vendeu mais de cinco milhões de cópias.

Em Setembro passado, a banda celebrou o 20º aniversário de “S&M” com dois concertos em reunião com a SFS – desta vez numa escala consideravelmente maior. Considerando que a actuação original ocorreu diante de uma multidão relativamente íntima com 3.500 pessoas, os concertos mais recentes baptizaram o recém-construído Chase Center de San Francisco, atraindo multidões de quase 20.000 fãs em cada dia.

A abrir com a SFS a tocar “The Ecstasy of Gold”, pode sentir-se a electricidade do público a passar pelos altifalantes. Segue-se “The Call of Ktulu” e a sua introdução arrepiante ganha vida com a grandiosidade régia de uma banda-sonora à James Bond. A parceria entre banda e sinfonia é estreita e complementar – faixas como “For Whom the Bell Tolls”, “The Outlaw Torn” e “The Unforgiven III” adquirem uma nova vitalidade dramática. “Halo on Fire” surge como um destaque revelador, reformulado como um arranjo sinfónico ardente com o cantar do público a adicionar um elemento jubiloso totalmente desconhecido para a maioria das sinfonias. Mas é a performance deslumbrante de Scott Pingel, no solo do falecido Cliff Burton em “(Anesthesia) – Pulling Teeth”, a usar um contrabaixo eléctrico feito especialmente para esta ocasião, que atrai uma das maiores e mais sinceras respostas da noite.

Conduzida pelo maestro Edwin Outwater, a experiência é um triunfo absoluto e os favoritos da audiência, como “One”, “Wherever I May Roam” e a empolgante terminal “Enter Sandman”, concretizam como prometido – paredes de trompas e cordas de fazer bater o peito são construídas para clímax heróicos, melodias profundamente familiares, e, no entanto, de alguma forma, tudo foi trabalhado com um fervor renovado. Os únicos pontos em que as coisas parecem um pouco estranhas ocorrem quando as músicas exigem tempos verdadeiramente alucinantes, como “Master of Puppets” e “Moth Into Flame”, em que o som se transforma ocasionalmente em emaranhados caóticos.

Estaríamos errados se víssemos isto como uma experiência só para fãs, ou pior, como um alinhamento diluído nos sucessos mais populares dos Metallica. Muito pelo contrário: “S&M 2” oferece uma visão inspirada e reveladora, não apenas da herança compartilhada entre música clássica e heavy metal como também do espírito de inovação e das visões infinitas à espera de exploração. E é muito bom que, quase com 40 anos de carreira, os Metallica ainda continuem a encontrar formas para mudar o jogo.

Consultar artigo original em inglês.