“Requiem For Mankind” assenta na fórmula vencedora das duas rodelas anteriores, mas de forma mais dinâmica. Memoriam “Requiem For Mankind”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 21.06.2019
Género: death metal
Nota: 4/5

É necessário enfatizar a actividade incessante dos britânicos Memoriam – formados em 2016 como acto simbólico de homenagem ao falecido baterista dos Bolt Thrower, Martin Kearns, a banda lançou um disco por ano a iniciar em 2017! Agora é tempo de “Requiem For Mankind”, provavelmente a obra que mais se aproxima tanto dos domínios dos Bolt Thrower como dos dos Benediction, tão óbvia que é a fusão dos estilos dos dois colectivos. Contudo, seria errado pensar que o novo disco dos Memoriam se foca apenas na junção de dois sons tão parecidos, mas tão díspares também.

“Requiem For Mankind” assenta na fórmula vencedora das duas rodelas anteriores, mas de forma mais dinâmica – embora a carga sinérgica que envolve a guitarra de Fairfax, a viola-baixo  de Healy e a voz mais rasgada do que grave de Willets continuem a apontar para o habitat natural dos Bolt Thrower, o ritmo da bateria de Whale aponta-nos de forma mais explícita para os Benediction que conhecemos. Mas não é só dos instrumentos que subsiste esse dinamismo presente num produto final que, embora nitidamente inspirado pelos momentos áureos dos Bolt Thrower e dos Benediction, consegue apresentar uma nitidez e uma contemporaneidade muito bem-vindas e que nos fazem recuar aos idos de 1991-94 com as benesses da produção actual e a atenção prestada aos detalhes: por exemplo, o som atrevidamente orgânico da tarola e do pedal duplo faz-nos lembrar tempos em que tudo não só era mais puro como necessitava de um maior know-how do produtor para concluir um disco com um trabalho de mistura inexcedível.

“Requiem For Mankind” soma pontos quando utiliza a bússola dos Bolt Thrower para comandar a investida. Também no novo disco, o tema central é a guerra – “Undefeated”, o tema inicial apresentado ao público, é a prova disso com as suas letras bélicas, embora o que capte de imediato a atenção seja o riff inicial, que parece querer imitar o avançar de uma companhia de tanques, apenas para dar lugar a outro riff melódico e épico que se instala permanentemente nos ouvidos. A secção de guitarra lembra-nos a do quinteto de Coventry, desde a afinação (“Fixed Bayonets”) à especialização em criarem malhas épicas (“Refuse To Be Lead”, “Interment”) que faziam com que um disco dos Bolt Thrower nunca fosse aborrecido ou mais do mesmo. A influência da guitarra do quinteto de Birmingham (principalmente em temas como “Austerity Kills” ou “The Veteran”) também se apresentou ao serviço: riffs simples, sem grandes motivos para assombro, mas esmagadores. A bateria adapta-se na perfeição aos dois tempos/estilos praticados, obviamente brilhando nos temas mais similares a Bolt Thrower. Já a voz de Willets está cada vez mais perceptível sem perder ponta de agressividade, o que é bom. No entanto, e embora bastante audível, o baixo está relegado para segundo plano; se lhe tivessem dado espaço para respirar, certamente que acrescentaria mais punch a “Requiem For Mankind”. Podemos tecer uma comparação entre o novo disco e os dois anteriores de forma simples – “For The Fallen” foi uma vitória expressiva, “The Silent Vigil” uma outra, mas mais moderada, e “Requiem For Mankind” é uma absoluta. O melhor que uma banda tem para oferecer não é sinónimo absoluto de qualidade. Os Memoriam não apresentam uma única ideia nova, salvo seja uma ou outra letra: trata-se de um álbum de death metal clássico elaborado por mestres, fiel ao espírito desse género, alheio aos novos tempos. Posto isto, o que parecem ser três pontos negativos são, de facto, três mais-valias que satisfarão aqueles que já sabem com aquilo que podem contar – que não é menos do que o melhor álbum dos Memoriam até à data.