Entre nomes como Karl Willets, Andy Whale (ambos ex-Bolt Thrower) e Frank Healy (ex-Benediction), o guitarrista Scott Fairfax é o menos sonante, mas não... Scott Fairfax (Memoriam): «Escrevi a maior parte do disco enquanto passava por um momento negro»

Entre nomes como Karl Willets, Andy Whale (ambos ex-Bolt Thrower) e Frank Healy (ex-Benediction), o guitarrista Scott Fairfax é o menos sonante, mas não é por isso que não tem uma posição a defender. O nome pode não ter o peso do dos amigos, mas ficará para a História como o principal compositor de “Requiem for Mankind”, o terceiro e muito bom disco de Memoriam.
Sendo impossível não se falar das bandas que fazem parte do passado dos seus colegas, Scott compreende que boa parte das perguntas passarão por isso, encontrando sempre uma oportunidade para conversar sobre o presente e como tudo isto é importante para mostrar a sua forma de compor e tocar.

Foto: Gobinder Jhitta

Desde a estreia, com “For the Fallen” (2017), têm lançado um álbum a cada ano – compor, gravar, tocar ao vivo, compor, gravar, tocar ao vivo e assim por diante. Por mais quanto tempo achas que conseguem manter este ritmo?
Estás a esquecer-te das demos inicias. Trabalhamos arduamente, não nos demoramos nas coisas, gostamos de compor música, portanto é exactamente isso que fazemos. Também adoramos tocar ao vivo. Estou muito orgulhoso do novo álbum, uma vez que era o que procurávamos desde o início. Acho que vamos fazer uma pausa nas gravações durante um tempo e vamos focar-nos nos concertos. Todos temos compromissos familiares e outros projectos que queremos que as pessoas ouçam. Então, quem sabe, um dia podemos estar a ensaiar e algo novo pode começar – não podemos dizer realmente o que vai acontecer.

Sendo Memoriam uma banda com ligações a Bolt Thrower e Benediction (duas bandas muito importantes oriundas de Inglaterra), quão prazeroso é misturar ambas as sonoridades em Memoriam?
Honestamente, nunca tentei soar a ninguém – é assim que toco, é assim que sempre toquei. Os riffs surgem-me e depois não penso muito sobre isso. Todo o som de Bolt Thrower vem das vozes do Karl [Willets] e da bateria do Andy [Whale] – sabe-se instantaneamente que são eles. Se alguém realmente tirar um tempo para olhar para a minha história, verá que integro bandas há anos, por isso não apareci do tipo: ‘Aqui está um riff à Bolt Thrower, vamos combinar com um riff de Benediction.’ É assim que eu toco, é assim que eu componho, é o meu estilo de tocar.

Os riffs incluídos neste álbum estão entre os mais cativantes que escutámos este ano, o que faz de “Requiem for Mankind” um óptimo álbum. Achas que essa é uma das vitórias obtidas?
Obrigado! Cada álbum foi uma vitória para mim, cada um é um momento na vida. Escrevi a maior parte do disco enquanto passava por um momento negro, um lugar que ninguém quer estar, e o que me fez recuperar foi escrever canções. Então, quando volto a ouvir, vejo onde estava e onde estou agora. Essa é a maior vitória para mim.

Mais uma vez, o conceito gira em torno da guerra e as pessoas pensam sempre em conflitos passados, mas, se prestarmos atenção, também há letras mais pessoais e outras que lidam com os tempos correntes. Quão importante é para os Memoriam que as pessoas façam as suas próprias interpretações ao mesmo tempo que libertam as mentes de pré-conceitos sobre, por exemplo, as antigas letras de Bolt Thrower?
Adoro o facto de que se possa ouvir, ler as letras e pensar sobre o que elas significam. Algumas músicas têm letras sobre a realidade actual, e não consigo agradecer o suficiente ao Karl por isso. Não tenho nada contra a temática de guerra e isso tudo, mas prefiro a vida real. Porém, isso sou eu, não me meto na política, mas há quatro pessoas na banda e o que Karl quiser escrever é a sua decisão.

“Requiem for Mankind” é lançado a 21 de Julho de 2019 pela Nuclear Blast.