“New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1” é uma oferta dinâmica e chamativa baseada nas fundações do blues e do country, em que... Me and That Man “New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1”

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 27.03.2020
Género: blues/country
Nota: 3.5/5

“New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1” é uma oferta dinâmica e chamativa baseada nas fundações do blues e do country, em que se inserem noções contemporâneas e onde se colocam muitos vocalistas fora da sua zona de conforto. Nergal mostra-se mais leve e com uma nova luz em contraste ao peso e negritude de Behemoth.

Habituados a um Nergal à frente de uma banda de metal extremo como Behemoth, foi com surpresa geral que em 2017 surgiu com Me and That Man e o álbum “Songs for Love and Death”, um projecto blues e country em que as abordagens negras inerentes à atitude artística do polaco continuam emergentes, mas, aqui, de uma forma mais sensual e até suave.

Agora, em 2020, chega o momento de um segundo disco que está recheado de convidados de luxo, como Corey Taylor (Slipknot), Matt Heafy (Trivium), Ihsahn, Sivert Høyem (Madrugada), Jerome Reuter (Rome), Jørgen Munkeby (Shining noruegueses), Niklas Kvarforth (Shining suecos), Mat McNerney (Grave Pleasures), entre outros, dando assim muito destaque às vozes dos eleitos em detrimento da sua, ainda que as músicas sejam da sua autoria.

Com letras que tanto podem originar ameaça como confissão e com uma sonoridade blues/country entrelaçada por um folk meio gótico repleto de sentido fora-da-lei, cabe a “Run with the Devil” (c/ Jørgen Munkeby) iniciar o álbum através de uma música orelhuda que se distingue das restantes pelo seu blues-rock em up-tempo e com hooks inteligentes. “Coming Home” apresenta-nos a voz grave e sempre sedutora de Sivert Høyem, antecedendo a provocadora “Burning Churches” com o vocal áspero de Mat McNerney, tornando-se facilmente uma das melhores faixas do disco, não só pela letra mas também pela musicalidade irónica.

Mais à frente, “By the River” (c/ Ihsahn) parece querer abraçar uma espécie de gospel condenado e rebenta, na sua fase final, com um solo rock n’ roll. Por outro lado, a destinada a ser também um êxito, intitulada “Męstwo”, surpreende pelos versos em polaco e por uma atmosfera que tem tanto de tristeza como de segurança, como se Nergal não nos quisesse abandonar à nossa sorte. Posteriormente, “Deep Down South” (c/ Johanna Sadonis dos Lucifer e Nicke Anderson dos Entombed) muda por completo a orientação do álbum ao presentear-nos uma sonoridade algo alegre, um western com muito sabor hillbilly.

Contudo, é em “Man of the Cross” (c/ Jerome Reuter) e “Confession” (c/ Niklas Kvarforth) que ficamos com a percepção de que Nergal tinha de, especificamente, compor música com uma sonoridade relacionada aos convidados. Enquanto a primeira apresenta a sempre apocalítica voz de Reuter num tema que podia muito bem figurar num trabalho de Rome, a segunda é a mais surpreendente de todas as 11 faixas ao espantosamente incluir, do nada, um clímax black metal, digamos, semi-acústico.

Em suma, “New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1” é uma oferta dinâmica (de notar o casamento entre guitarras e teclas) e chamativa baseada nas fundações do blues e do country, em que se inserem noções contemporâneas e onde se colocam muitos vocalistas fora da sua zona de conforto, mas que saem daqui com um exame passado com distinção. O mesmo se aplica a Nergal, que se mostra mais leve e com uma nova luz em contraste ao peso e negritude de Behemoth.