O segundo álbum dos Trivium, “Ascendancy” de 2005, foi o que os apresentou ao mundo. E a liderar estava “Pull Harder On The Strings... Matt Heafy (Trivium): a história de “Pull Harder On The Strings Of Your Martyr”

O segundo álbum dos Trivium, “Ascendancy” de 2005, foi o que os apresentou ao mundo. E a liderar estava “Pull Harder On The Strings Of Your Martyr”, uma faixa que se tornaria num dos maiores hinos metal daquela década. O vocalista Matt Heafy faz uma retrospecção da música que construiu os Trivium.

Composição telepática
«Lembro-me de ter composto aquele riff quando ainda morava em casa dos meus pais, quando tinha 17 anos. Estava sentado no sofá com a guitarra, de frente para a parede. Comecei a dedilhar o riff de introdução, e no ensaio da banda, no dia seguinte, eu disse ao Travis [Smith, ex-baterista dos Trivium] que queria tocar-lhe esta parte. Ele disse: ‘Bem, é engraçado. Tenho uma parte de bateria na minha cabeça que queria mostrar-te.’ Assim, concordámos em tocar as partes que tínhamos feito à mesma hora, na noite anterior. Depois ele contou até quatro e encaixou. Foi assim que surgiu o início da música.»

A equipa dos Machine Head sabia o que era preciso
«Estávamos na Roadrunner Roadrage Tour com Machine Head e Chimaira, e andávamos a tocar muito a música, mas tinha um refrão e uma ponte completamente diferentes. Certa noite, um técnico de guitarra dos Machine Head puxou-nos a um canto e disse: ‘Se tivesse um refrão melhor, então poderia ser um bom single.’ Nós ficamos tipo: ‘O que é que ele está a dizer? Esta música é óptima!’, Mas foi exactamente o que o [produtor] Jason Suecof nos disse quando fomos gravar. Então sentámo-nos e improvisámos, e criámos um refrão completamente novo que usamos desde então… Tenho visto esse tipo desde aí e nunca lhe disse nada, mas agora direi!»

As letras são uma metáfora para a opressão
«As letras são sobre um ditador tirânico, e isso pode ser aplicado a qualquer coisa – as coisas que acontecem na tua vida ou as coisas que vês à tua volta na sociedade –, pode ser sobre os tempos actuais ou os tempos antigos. Não é a perspectiva da primeira pessoa, é mais como uma terceira pessoa que sofre às mãos de um ditador. Isso poderia ser uma pessoa, um gangue, um exército. Está a tentar resolver-se o que eu acho que é a maldição da humanidade moderna – permitimos que essas pessoas façam essas coisas más a tanta gente.»

«Tínhamos a idade certa para absorver toda a excelente música.»

Matt Heafy

Tem um pouco de tudo
«Tínhamos a idade certa para absorver toda a excelente música – metal, metalcore, emo, punk, death metal melódico. E a música tem partes disso tudo – vozes melódicas, riffs metal, um riff Roots-y de corda solta pelo qual os Sepultura, os Machine Head e os Slipknot ficaram famosos. O que é bastante diferente para nós. Por isso, a música levava os miúdos as diferentes estilos de música.»

Não percebemos que tínhamos um hino nas mãos
«A editora dizia-nos que este seria o primeiro single, e é claro que eu lembro-me de tocar no Download e a plateia cantar cerca de 25% das letras sem mim, mas não sabíamos por que é que era aquela música que ressoava. Nem tinha o título no refrão! Achávamos que “Dying In Your Arms” seria o grande sucesso. Mas [esta canção] teve sempre a maior reacção, e assim até foi sair a “In Waves”. Só essa música tem mais reacção do que a “Pull Harder…” até hoje.»

Saber que a música inspira pessoas a formar bandas ainda nos surpreende
«Foi uma época muito importante para o metal, e quando falo com pessoas, como o Austin Dickinson dos As Lions, ele diz-me que queria fazer uma banda por nos ver naquela época… É a sensação mais incrível. Olho para as bandas que estão a surgir do Reino Unido, como Architects, Bring Me The Horizon e Bury Tomorrow, que são tão incríveis, e penso no nosso relacionamento com o Reino Unido. Pensar que fizemos parte da inspiração dessas bandas é realmente incrível.»

Consultar artigo original em inglês.