Após, em 1994, terem sido lançados álbuns icónicos de bandas norueguesas, como Mayhem, Darkthrone e Emperor, que puseram o black metal definitivamente no mapa,... Marduk “Opus Nocturne”: rituais nocturnos

Após, em 1994, terem sido lançados álbuns icónicos de bandas norueguesas, como Mayhem, Darkthrone e Emperor, que puseram o black metal definitivamente no mapa, a 1 de Dezembro havia ainda tempo para sair “Opus Nocturne”, o terceiro álbum dos suecos Marduk, compatriotas de Bathory.

Visto como um dos melhores discos do grupo, a história discográfica em termos de LPs começou por fazer-se em 1992 com “Dark Endless” e depois com “Those of the Unlight” em 1993, este que rivaliza com “Opus Nocturne” ao nível da popularidade e das críticas de maior relevo.

Sendo o último álbum com o vocalista/baterista Joakim Af Gravf (predecessor de Legion), “Opus Nocturne” ainda possuía algo da toada melódica de “Those of the Unlight”, mas, ao mesmo tempo, começou a evidenciar a bestialidade veloz do blast-beat, como se ouve por exemplo em parte da faixa “Untrodden Paths (Wolves, Pt. 2)”, o que seria ponto assente em álbuns vindouros. Com uma guitarra lead reinante, Morgan, na altura com uns tenros 21 anos, já demonstrava ser um dos riffmeisters do black metal, não só nórdico como global, o que se provou verdadeiro tanto naquele registo como noutros muito posteriores, podendo-se por exemplo referir “Frontschwein” (2015).

Por mais evolutiva que fosse a sonoridade dos Marduk, as ideias e direcções daqueles meados dos anos 1990 eram partilhadas por várias bandas e tal sucedeu também com o colectivo sueco, como no caso da faixa mais atmosférica “Sulphur Souls” em que os teclados, que mais tarde seriam obliterados dos discos de Marduk, podem ouvir-se e fazer-nos tecer comparações a Emperor. Por outro lado, a mais longa “From Subterranean Throne Profound” contém estiradas épicas, muito à custa dos leads omnipresentes, mas também alguma acostagem a noções prog em termos estruturais, por mais ímpio que isto possa parecer quando falamos de uma banda puramente black metal. Contudo, nem tudo em “Opus Nocturne” é preto no branco e 8 ou 80; por isso, em “Deme Quaden Thyrane”, os Marduk também conseguem que a ala melódica partilhe espaço com impiedosos neckbreakers.

Em suma, “Opus Nocturne” pode ser visto como o álbum final da tríade composta pelos lançamentos de 1992, 1993 e 1994, abrindo caminho para uma abordagem ainda mais furiosa e, a tempos, desprovida da melodia orelhuda que os Marduk habituaram os seus fãs naquela época.