Fundados em 1986, os galeses Manic Street Preachers deram logo nas vistas com os dois primeiros discos. Em 1992 lançavam “Generation Terrorists” e o... Manic Street Preachers “Holy Bible”: a bíblia negra do rock

Fundados em 1986, os galeses Manic Street Preachers deram logo nas vistas com os dois primeiros discos. Em 1992 lançavam “Generation Terrorists” e o single “Motorcycle Emptiness” tornou-se um êxito instantâneo, no ano seguinte revelavam “Gold Against the Soul” e o single “La Tristesse Durera (Scream to a Sigh)” é ainda hoje tocado ao vivo.

O futuro era promissor, mas não era certo. A 30 de Agosto de 1994 saía “Holy Bible”, um disco que, no momento, ficou aquém das expectativas de mercado, mas que ao longo dos anos seguintes ganhou o estatuto de álbum incontornável do rock, sendo até classificado como um dos discos mais negro do género.

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, a banda de James Dean Bradfield, Nicky Wire, Sean Moore e Richey Edwards não era conceptualmente liderada pelo último, mas “Holy Bible” mudou tudo!

Oriundos da classe operária, o punk e o rock andavam de mão dada com as letras de índole política, mas com este LP de 1994 a fasquia foi elevada quando Richey Edwards toma as rédeas conceptuais dos Manic Street Preachers e escreve um álbum repleto de agonia. Autor de 70-75% das letras de “Holy Bible”, Richey Edwards era conhecido pela sua postura flageladora e depressiva, acabando por usar a sua destreza criativa para demonstrar o que sentia. Prostituição, consumismo, imperialismo, liberdade de expressão, genocídio, pena de morte, revolução política, fascismo, infância e suicídio são as temáticas recorrentes de “Holy Bible”.

“Ifwhiteamericatoldthetruthforonedayit’sworldwouldfallapart” é praticamente uma música contra os EUA, “Of Walking Abortion” fala sobre o totalitarismo da extrema-direita, “Archives Of Pain” lida com a glorificação de serial-killers e pena de morte, “4st 7lb” confronta-nos com as aflições da anorexia, “Mausoleum” e “The Intense Humming of Evil” debruçam-se sobre o Holocausto.

A 1 de Fevereiro de 1995, cerca de 5 meses depois de “Holy Bible” ter sido lançado e pouquíssimo tempo antes de embarcarem em nova digressão, Richey Edwards desaparecia, deixando para trás apenas o seu carro na Severn Bridge (País de Gales), local apontado como propício a suicídios. O corpo nunca apareceu, mas a banda continuou a pagar os devidos royalties. Foi declarado morto em 2008.

Seguiram-se álbuns de excelente qualidade, como “Everything Must Go” (1996) – ainda com resquícios artísticos de Edwards – ou o político “Send Away the Tigers” (2007), e singles de sucesso mundial, como “A Design for Life” (1996) e “If You Tolerate This Your Children Will Be Next” (1998). “Resistance Is Futile”, de 2018, é o décimo terceiro álbum da banda e o longa-duração mais recente.

Décadas depois, “Holy Bible” é tido pela imprensa especializada e pelos críticos do rock como um dos álbuns mais negros e excelentemente feitos da história da música.