Para assinalar o aniversário dos 20 anos do disco de estreia dos Lacuna Coil, a Metal Hammer Portugal esteve à conversa com o vocalista... Andrea Ferro (Lacuna Coil): «Ainda sinto que “In a Reverie” é um bom álbum»

Ao nono longa-duração, os Lacuna Coil terão em “Black Anima” um álbum que não nos irá dispensar de reflectir profundamente sobre o passado da banda e que irá oferecer igualmente uma mudança de paradigma, trazendo os elementos mais pesados e negros do seu repertório histórico para os fundir com novos territórios musicais onde a experimentação é o guia turístico. De facto, temas como “Veneficium”, “Apocalypse” e “Layers of Time” – que a Metal Hammer Portugal já teve a oportunidade de ouvir – revelam-se como interpretações modernas daquilo que poderíamos encontrar em “In a Reverie”, o álbum com que os italianos se deram a conhecer em 1999. Para assinalar o aniversário dos 20 anos do disco de estreia dos Lacuna Coil, a Metal Hammer Portugal esteve à conversa com o vocalista e fundador Andrea Ferro.

«Éramos novos e gostávamos muito de bandas como Paradise Lost, Type O Negative, Tiamat e do metal gótico em geral, pelo que estávamos à procura da nossa própria abordagem a esse estilo», começa o músico por dizer. «Creio que com “In a Reverie” conseguimos encontrar a nossa própria identidade dentro desse género musical. É um disco que me traz muitas boas memórias pois estávamos a experimentar coisas novas juntos pela primeira vez, e a tocar a música que adorávamos que era, por sua vez, inspirada nas bandas que seguíamos. Ainda sinto que “In a Reverie” é um bom álbum para a altura em que foi editado. Foi aí que começámos a ter uma assinatura musical que definiu a nossa identidade enquanto banda.»

“In a Reverie” deu-nos a conhecer os primeiros rasgos de talento dos Lacuna Coil, através de uma sonoridade poderosa e melódica que oscilava entre as fronteiras do rock e do metal, e a dupla de Andrea e Cristina Scabbia a protagonizar momentos dignos de nota.

«A música mudou muito», diz-nos o vocalista acerca do impacto que o disco de estreia teria se fosse editado nos dias de hoje. «Na altura era um estilo em desenvolvimento, com a cena gothic metal a tornar-se grande, e esse lançamento fez sentido. Sempre que editamos um álbum tentamos criar o melhor disco possível. Há pessoas que se vão identificar mais com os antigos porque descobriram a banda nessa altura e há outras que vão ter uma maior ligação com o material mais recente por nunca terem ouvido falar de nós antes. Enquanto banda, procuramos dar 100% em todos os discos, e quando lançamos algo novo é porque sentimos que o produto final é o melhor que conseguimos fazer nesse momento.»

A artwork foi também algo arrojada para os padrões de 1999, em que podíamos ver Andrea Ferro e Cristina Scabbia, rodeados de flores e e por uma palete de cores surreais, vestidos apenas com pintura corporal. «Foi esquisito!», afirma Ferro depois de uma gargalhada. «Trabalhámos com um fotógrafo que estava a fazer muitos trabalhos do género, com pinturas corporais, e na altura foi preciso alguma coragem para o fazer. Olhando para trás, percebo que não é uma capa muito bonita mas no fundo acaba por ser melhor do que a capa escolhida para a re-edição.»

Re-edição de “In a Reverie” – 2005

Esta re-edição a que o músico se refere diz respeito ao lançamento de 2005 da Century Media, que exibia uma capa onde a arte digital apresentava um conceito longínquo da ideia original. «O conceito do álbum pedia que atraíssemos o ouvinte para um mundo surreal com aquelas cores e imagens esquisitas, pelo que acho que a artwork original faça mais sentido. É por isso que quando re-editámos o vinil utilizámos a capa original, pois é o certo a fazer. Mas é esquisita, sem dúvida. Uma artwork de heavy metal muito atípica [risos]

“Black Anima” tem lançamento agendado para o dia 11 de Outubro através da Century Media. Ouve o single “Layers of Time” abaixo: