Em Novembro de 1999, os padrinhos do nu-metal Korn editavam "Issues", o quarto disco da discografia que chegava num ano sinónimo... Korn: “Issues” – um disco à frente do seu tempo
Fotografia: Robin Platzer

Em Novembro de 1999, os padrinhos do nu-metal Korn editavam “Issues”, o quarto disco da discografia que chegava num ano sinónimo da dificuldade que as bandas de metal tinham na obtenção de sucesso comercial.

Após o êxito do brilhante “Follow The Leader” (1998), “Issues” divide os fãs ao não dar continuidade ao percurso evolutivo que os Korn haviam registado álbum após álbum até então, e que havia redefinido aquilo que a música pesada representava na primeira metade da década de 1990, com uma sonoridade excêntrica que deu aos Korn a oportunidade de viverem na pele de verdadeiros astros do rock. Por outro lado, os norte-americanos davam a conhecer a sua intenção de não repetir fórmulas do passado, algo que ficaria bem assente com a chamada do produtor Brendan O’Brien, conhecido pelo trabalho que havia desempenhado com bandas como Pearl Jam.

Na viragem do século, os Korn capitalizavam o seu sucesso e ascendiam ao topo da tabela da Billboard, deixando para trás nomes como Dr. Dre ou Celine Dion. Desfilavam nas passadeiras vermelhas com vestuário bizarro e acessórios reluzentes, e os vídeos onde o orçamento não era um problema estavam em alta-rotação na MTV. Ainda que “Issues” tivesse dividido a opinião dos fãs, foi um disco que amadureceu bem com o tempo e que hoje assume-se como um registo que estava à frente do seu tempo. A atmosfera presente no interlúdio “Dead” viria a influenciar o início de “The Nothing”, de 2019; “Falling Away From Me” tornar-se-ia um tema imprescindível nas apresentações ao vivo; “Trash”, “Make Me Bad” e “Somebody Someone” trariam toda uma nova dinâmica que seria fortemente explorada no sucessor “Untouchables”, de 2002; “Beg For Me”, “Hey Daddy”, “No Way”, “Counting” e “Dirty” ofereciam uma faceta que se traduzia em belas melodias que contrastavam com a obscuridade e a parede de sentimentos negativos que era a sonoridade dos Korn, fazendo deste um disco que enfrentou águas muito agitadas mas que foi bem sucedido na exploração de novos territórios e na criação e sustentabilização de um estado musical que perdura até aos dias de hoje, pois se “The Nothing” pode ser visto como a nova obra-prima dos Korn, tal deve-se às conquistas de “Issues”.