King Dude é actualmente um nome implementado num panorama que, apesar de não ser mainstream, tem um apoio muito forte num ambiente de nicho... King Dude: o passado black metal e hardcore-punk

King Dude é actualmente um nome implementado num panorama que, apesar de não ser mainstream, tem um apoio muito forte num ambiente de nicho leal. Em paralelo, a sua sonoridade está longe do metal mas é nos metaleiros que tem os seus maiores fãs.

Depois de ter lançado o primeiro álbum “Tonight’s Special Death” em 2010, o norte-americano começou a dar nas vistas na Internet com o tema “Lucifer’s The Light Of The World”, presente no segundo trabalho “Love” (2011). O que começou por ser um neofolk luciferiano muito simplista e underground tornou-se em algo mais atmosférico e atractivo através do sucesso com “Burning Daylight” (2012).

A partir daí, TJ Cowgill (o nome real de King Dude) abriu o seu leque de ideias musicais e, sempre com um conceito entre amores perdidos e Lúcifer, em “Fear” (2014) introduziu a guitarra eléctrica, em “Songs Of Flesh & Blood – In The Key Of Light” (2015) deu espaço ao piano, em “Sex” (2016) surpreendeu com uma abordagem punk e em “Music To Make War To” (2018) optou por caminhos mais góticos. Em 2020, com “Full Virgo Moon”, o original de Seattle volta às raízes que o tornaram conhecido no início da década de 2010.

Ainda assim, King Dude não apareceu do nada, tendo um passado ligado ao black metal e hardcore-punk que aqui recordamos.

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Teen Cthulhu
Banda formada em 1998, o quinteto lançou dois LPs e vários splits. Este é um dos casos em que podemos realmente dizer que uma banda estava à frente do seu tempo visto já misturar hardcore e black metal antes de tal prática obter a luz dos holofotes da imprensa e da comunidade metal. Por exemplo, “Burning Fields”, que abre o álbum “Ride The Blade” (2003), promove a criatividade de um grupo de jovens que combinou as tais malhas hardcore e black metal, sem esquecer os teclados claramente inspirados em Cradle Of Filth e Dimmu Borgir.

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Book Of Black Earth
Das cinzas de Teen Cthulhu surgiu Book Of Black Earth. A base criativa continuava a mesma, mas a experiência aparentava ser já outra, lançando-se álbuns (foram três) com melhor produção e com composições mais arrojadas. Os teclados perderam o seu espaço, mas a mistura entre black metal e hardcore prosseguiu em grande força. Em Julho de 2018, dois anos depois da última aparição no Facebook, a banda fez, de forma humorada, o grande anúncio de que não ia tocar em lado nenhum durante 2019.

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Cross
Com uma demo e dois splits na colecção, os Cross estiveram activos pelo menos entre 2010 e 2014, altura em que TJ Cowgill já andava em vastas digressões sob o pseudónimo King Dude. Sonicamente, Cross era a versão mais suja de Book Of Black Earth, apresentando temas que, de facto, bebiam do black metal e do hardcore-punk, mas em doses mais negras, pestilentas e definitivamente mais underground.

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ORVKKL
ORVKKL no Metal Archives, ORAKVL no Myspace. O que é certo é que não há música disponível. Apenas se sabe que era black metal e que o álbum “XC” (2007) foi o único lançamento da Scatological Liberation Front, da qual também nada se sabe nos dias de hoje.