Para algumas pessoas, o novo álbum de King Dude, “Full Virgo Moon”, pode ter sido uma surpresa, tanto pela forma espontânea com que surgiu... King Dude: «Este é um momento louco para a música, mas não pretendo parar»
Foto: cortesia Ván Records

Para algumas pessoas, o novo álbum de King Dude, “Full Virgo Moon”, pode ter sido uma surpresa, tanto pela forma espontânea com que surgiu como pelo facto de o norte-americano ter recuperado um método minimalista de composição deixado para trás há alguns anos.

A Metal Hammer Portugal falou com Thomas Cowgill, iniciando a conversa ao perguntar se regressar às raízes foi uma maneira de celebrar 10 anos de carreira ou se foi um acto de necessidade. «Bem, sim e não. Na realidade, isto nasceu por necessidade. Tinha de fazer um álbum acústico prometido à Ván Records até meados de Janeiro de 2020, para cumprir um acordo que tínhamos feito no Outono de 2019. E para fazer um disco como este, eu não podia chatear-me com estúdios, músicos e todas as armadilhas envolvidas. Mas, para ser sincero, adoro fazer álbuns desta maneira. Foi assim que comecei e é bom voltar à minha abordagem mais minimalista.»

King Dude já viajou por todo o globo, tanto como banda como a solo. É interessante de ver que, quando a solo, algumas pessoas pedem músicas recentes que não são fáceis, ou às vezes impossíveis, de tocar dessa forma, e há outras (talvez fãs antigos) que sabem exactamente quais as músicas que devem ser pedidas. Portanto, imaginar que “Full Virgo Moon” atraia seguidores mais antigos não está muito longe da realidade. «Até agora, parece que sim», responde. «Começámos o que deveria ter sido uma digressão de dois meses e estava a correr muito bem. Os fãs adoraram mesmo as novas músicas. Quero dizer, tocámos muitas músicas novas antes de tocarmos as mais antigas… E as pessoas pareciam adorá-las. Mas depois apareceu este maldito vírus e todos os nossos concertos tiveram de ser adiados. Estou a escrever da Suécia, onde a digressão nos levou e onde foi finalmente cancelada pelo governo. Este é um momento louco para a música, mas não pretendo parar de fazer isto ou de tocar ao vivo com base no que alguns governos dizem. Voltarei de uma forma ou de outra. Prometo.»

Provavelmente, “Full Virgo Moon” poderá fazer com que queiramos ouvir os discos antigos, mais não seja para se fazer uma comparação. Assim, é possível que a mudança/evolução vocal seja uma das primeiras coisas a serem notadas, exibindo-se agora um tom com mais bass e fatalismo, o que torna tudo mais intimista. «Acho que o que ouvem pode ser duas coisas. Uma é que melhorei a cantar… Afinal, a minha primeira gravação já foi há 10 anos. A outra é que melhorei a gravar em casa. Tenho microfones e equipamentos melhores. Ambas combinadas podem soar diferentes das gravações antigas.»

«Os meus fãs leais têm um lugar no meu coração e prezo-os absolutamente.»

King Dude

A press-release da Ván Records refere que, para alguns, King Dude é um satanista psicopata violento e, para outros, um covarde esquerdista. No entanto, acredita-se que no meio disso tudo estejam os fãs mais leais. É óbvio que Thomas responde a estes ataques com música, mas viajar por todo o mundo pode, por vezes, complicar a digestão de tantas emoções. Porém, o músico aparenta ter ânimo leve e consciência tranquila. «Levo com muita merda vinda das pessoas, mas também levo com muito amor. E adoro as pessoas que gostam do que faço! Os meus fãs leais têm um lugar no meu coração e prezo-os absolutamente… Faço música para mim e para eles, e para mais ninguém.»

Conhecido mundialmente como King Dude e como autor de neofolk alternativo que mistura em si guitarra acústica e eléctrica, piano, punk e gótico, o original de Seattle tem um passado musical bastante pesado ao ter feito parte de bandas black metal e hardcore-punk, como Teen Cthulhu e Book Of Black Earth. Passado tantos anos, quisemos saber, para finalizar, como é que Thomas Cowgill relembra esses dias prolíficos e quão longe dessas sonoridades está hoje em dia. «Para ser sincero, não penso muito nesses tempos. Respeito o meu passado pelo que é e em quem me tornou, mas não… Não me regozijo com nostalgia. Olho sempre em frente. Sempre.»