Um álbum composto por nove faixas minimalistas e descomprometidas, um King Dude bastante intimista como já não se ouvia há muitos anos. King Dude “Full Virgo Moon”

Editora: Ván Records
Data de lançamento: 13.03.2020
Género: folk
Nota: 3/5

Um álbum composto por nove faixas minimalistas e descomprometidas, um King Dude bastante intimista como já não se ouvia há muitos anos.

Nome implementado na cena folk mais alternativa, King Dude foi desenvolvendo uma sonoridade que saiu desse campo restrito ao começar a incorporar, ao longo dos tempos, guitarra eléctrica, piano, punk e gótico. Um perigoso psicopata satanista para uns, um charlatão de esquerda para outros, o que é certo é que, no meio, King Dude é considerado um dos incontestáveis criadores de folk contemporâneo, uma voz que não pode ser calada e que tem encontrado muitos adeptos pelo mundo inteiro.

Gravado durante as duas primeiras semanas de Janeiro de 2020, “Full Virgo Moon” é um regressar às raízes dos primeiros álbuns lançados há cerca de 10 anos. Há alguns arranjos atmosféricos, piano e até violino, mas esqueçam as músicas completas de álbuns como “Music To Make War To” (2018). Nesta nova proposta, TJ Cowgill trabalhou novamente sozinho e despiu-se de artefactos auxiliadores, aparecendo praticamente sozinho com a sua voz e a sua guitarra.

Assim, o que temos é um álbum composto por nove faixas minimalistas e descomprometidas, um King Dude bastante intimista como já não se ouvia há muitos anos. Com reminiscências de álbuns como “Burning Daylight” (2012) e, em parte, “Fear” (2014) em faixas como “My Rose By The Sea (Satyr Boy)”, passamos para a nua dissonância do tema-título e depois para o folk à Johnny Cash em “Forty Fives Say Six Six Six”, que mais uma vez nos leva ao King Dude de 2011 e 2012.

Enquanto o aspecto Luciferiano, que talvez tenha vindo a ficar em segundo plano, é recuperado na terna e curta “The Satanic Temple”, a veia trágica do norte-americano acontece em “Forgive My Sins” ao piano, o humor negro fatalista e sem tréguas dá ar de si em “Make Me Blind” e “A Funeral Song For Atheists”, e o amor perdido remata o disco em “Something About You”.

Será “Full Virgo Moon” indicado para todo o tipo de fãs de King Dude? Enquanto os mais antigos poderão ficar maravilhados, os mais recentes poderão achar frugal demais, descobrindo-se um lado mais privado que talvez não tenham conhecimento. Quem já assistiu a concertos de King Dude a solo, verificará que o músico tem mais tendência a tocar os temas antigos devido à sua simplicidade em detrimento de pedidos vindos do público referentes a canções mais recentes que são difíceis e, por vezes, impossíveis de interpretar a solo. Posto isto, é muito possível que os fãs antigos fiquem a ganhar mais com “Full Virgo Moon” do que os recentes.