“Adrasteia” é um monumento ao black metal helénico e uma óptima forma de iniciar 2020. Kawir “Adrasteia”

Editora: Iron Bonehead Productions
Data de lançamento: 10.01.2020
Género: black metal
Nota: 4/5

Nome plenamente relacionado ao hellenic black metal, ainda que numa liga mais underground do que Rotting Christ, os Kawir transportam o rótulo para além da música com um conceito lírico enraizado no panteão mitológico do seu país.

Desta vez, com “Adrasteia”, a divindade da vingança feminina, os gregos prestam honras a mulheres heroicas e à crueldade existente à sua volta. Assim, não é com espanto que este oitavo álbum seja, muito possivelmente, o registo mais melódico e até o mais folclórico, exultando assim a beleza e a bravura do sexo feminino – mas não nos enganemos, pois “Adrasteia” é, sem dúvida, black metal.

Ainda que o álbum seja inaugurado numa toada mais mid-tempo e cerimonial com “Tydeus”, a fúria helénica é-nos oferecida logo na segunda “Atalanti”. Daí para a frente, os Kawir mostram aquilo que melhor sabem fazer: black metal desenfreado cheio de blast-beats completados por um jogo de címbalos, uma voz berrante como só um guerreiro na frente de combate conseguirá e leads que estão por todo o lado. De facto, o coração de “Adrasteia” está nas guitarras que nos vão prender a atenção, originando uma paixão e fervor muito particulares pelo black metal melódico mediterrânico. Seja em estrofes, em bridges ou em momentos de clímax, a criatividade projectada nas guitarras é perfeita, como, por exemplo, se pode testemunhar no final da última “Medea”.

Mais uma vez, o folk não foi esquecido e as flautas podem ser ouvidas em “Atalanti”. Mas a orientação mais directa ao folclore acontece na acústica “Colchis” com a prestação da cantora norueguesa Lindy-Fay Hella (Wardruna).

“Adrasteia” é um monumento ao black metal helénico e uma óptima forma de iniciar 2020.