Com tanto de extremo como de elegante, versátil dentro de um registo muito próprio, o álbum debutante do grupo franco-siberiano revela-se... Isgherurd Morth “Hellrduk”

Editora: Repose Records
Data de lançamento: 12.03.2021
Género: black metal
Nota: 4/5

Com tanto de extremo como de elegante, versátil dentro de um registo muito próprio, o álbum debutante do grupo franco-siberiano revela-se numa viagem de aproximadamente meia hora feita por caminhos um tanto esotéricos e com ainda bastante terreno por explorar.

Idealizados por um trio de músicos, que já haviam colaborado juntos num outro projecto em comum chamado Stench Prince mais focado no grindcore, os Isgherurd Morth, através do selo da inglesa Repose Records, editam agora o seu primeiro longa-duração “Hellrduk”, apresentando assim uma sonoridade ambiciosa, com o seu núcleo central no black metal, de facto, mas que simultaneamente não se deixa aprisionar de forma irremediável ao mesmo, e consegue ainda, com bastante bom gosto e cuidado em termos de composição, acrescentar elementos externos ao dito subgénero, de tal forma que faz com que seja difícil catalogá-los com uma etiqueta específica.

O resultado consiste num conjunto de cinco boas faixas que vão de berros estridentes, de vez em quando acompanhados por vocais mais grotescos, ao estilo de um death metal, a riffs de guitarra com base no black metal que impressionam pelo forte modernismo com que se fazem notar em todo o desenrolar do álbum. Acrescenta-se ainda a forma prudente com que as linhas de baixo se articulam com as dos restantes instrumentos – melhor exemplo disso é a faixa “Lucir Stormalah”, em que as quatro cordas têm um maior destaque.

Contudo, “Hellrduk” não se fica só pelos momentos de ira a velocidades cortantes, havendo também espaço para andamentos mais lentos, um som mais arrastado e igualmente pesado, como acontece tanto na faixa já mencionada como na anterior “Nokturahl”.

Com tanto de extremo como de elegante, versátil dentro de um registo muito próprio, o álbum debutante do grupo franco-siberiano revela-se numa viagem de aproximadamente meia hora feita por caminhos um tanto esotéricos e com ainda bastante terreno por explorar, conforme a última “Beliath Todh Grimr” sugere, quer pelo seu solo de guitarra cantarolável, quer pela forma como encerra o álbum com uma das partes mais harmoniosas que ouvimos neste lançamento. No fim, damos por nós a pedir por mais.