“Somewhere in Time”: a capa mais complexa dos Iron Maiden explicada ao detalhe. Iron Maiden: os segredos do artwork de “Somewhere in Time”

“Somewhere in Time”: a capa mais complexa dos Iron Maiden explicada ao detalhe.

Lendas da NWOBHM, os Iron Maiden lançaram o álbum “Somewhere in Time” a 29 de Setembro de 1986. É uma das capas mais complexamente detalhadas e está repleta de muitas piadas internas e referências ao passado.

O artista Derek Riggs passou semanas nesta pintura de 32 por 15 polegadas.

«Desgastou-me muito», revelou Riggs no livro de Martin Popoff, “Run for Cover: The Art of Derek Riggs”. «Na altura, estava a morar em Londres e a trabalhar naquilo há dois meses – demorou três meses ao todo. Tive simplesmente de parar, porque estava farto. Aquilo entrou-me na cabeça e simplesmente não conseguia ver mais nada. Não conseguia pensar em mais nada. Isso deixou-me perplexo, porque existem todos aqueles pequenos detalhes.»

Olhámos para a capa e contracapa durante um bocado que pareceu dias para vos trazermos 39 desses pequenos detalhes…

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1) A assinatura estilizada de Riggs pode ser vista como um emblema no peito de Eddie.

2) Eddie está posicionado ao lado de uma placa em que parcialmente se lê Acacia. Só podemos assumir que é uma referência à música “22 Acacia Avenue” de “The Number of the Beast”.

3) Ao seu lado está um poster do álbum de estreia de 1980.

4) À esquerda da arma de Eddie está um Olho de Hórus colocado no topo de um arranha-céus. Este antigo símbolo de proteção egípcio é mencionado na faixa-título de “Powerslave”, de 1984.

5) Atrás da perna direita de Eddie, reflectida na janela do Bradbury Towers Hotel International, está uma placa que diz “This is a very boring painting”. Que fale por si, há muitas referências para encontrar.

6) O sinal de risco biológico na virilha de Eddie? «Ele tem uma pila movida a energia nuclear», diz Riggs. Deveras.

7) Ao lado da perna esquerda de Eddie está um caixote de plástico amarelo fixado num poste em referência à capa do álbum de estreia.

8) Quem é? É o gato preto do artwork de “Live After Death”. Nome desconhecido.

9) Quem é Webster? Charlie Webster era o director de arte da EMI.

10) Com fome? Há um Pizza Hot que pode ser visto entre as pernas de Eddie. «O cirílico acima das palavras Pizza Hot? Acho que diz leite azedo em russo», recorda Riggs. A bebida perfeita para acompanhar um banquete de carne.

Contracapa – secção 1

1) Gostas de uma pint antes de entrar no cockpit e ligar os motores? Vai o Aces High Bar. [“Aces High”]

2) Um Spitfire [avião de guerra] desse single anda às voltas no ar.

3) Nos céus além da cidade, tudo o que se pode ver são pirâmides. Tem tudo a ver com “Powerslave”.

4) L’Amours era uma sala do Brooklyn onde os Maiden tocavam com frequência. Regressaram lá para um concerto secreto em 1988 sob o nome Charlotte and the Harlots.

Contracapa – secção 2

1) Long Beach Arena foi onde os Maiden gravaram “Live After Death”.

2) Hammerjacks é um clube de Baltimore que costumavam visitar.

3) Abaixo de Hammerjacks lê-se Tehe’s Bar, onde as vozes colectivas de “Heaven Can Wait” foram gravadas.

4) O anjo que está a cair ao lado das Bradbury Towers é Ícaro. Continua a não ter muita sorte. E nem está sol. Também é uma homenagem a Led Zeppelin.

Contracapa – secção 3

1) Os Iron Maiden filmaram um concerto em 1980 no Rainbow, no Finsbury Park de Londres. Agora é uma igreja cristã.

2) Estás a ver a placa que diz “Sand Dune over the bridge”? É uma referência a “To Tame A Land”, do álbum “Piece Of Mind” de 1983, que foi baseado no livro “Dune” de Frank Herbert.

3) A banda contactou o autor a pedir permissão para dar o nome do livro à música. A resposta? «’Não, não lhe podem chamar “Dune”. E não podem fazer nada que seja baseado no meu livro, porque acho que rock ‘n’ roll é decadente e corrupto’», recorda Riggs. «Então eles puseram Herbert Ails [na ponte], como em ‘Herbert não está muito bem’.»

4) Acima está uma placa do Marquee Club, que parece maior do que a sala original em Londres.

5) TARDIS de “Doctor Who”. Bruce Dickinson é fã.

6) Ruskin Arms era um bar no East End onde os Maiden começaram a trabalhar.

7) Acima do bar, está uma prostituta numa sala vermelha. Provavelmente é Charlotte the Harlot, ainda no terreno depois de tantos anos.

8) Na ponte, do outro lado da estrada, está um relógio digital que marca 23:58. Dois minutos para a meia-noite. [“Two Minutes to Midnight”]

9) The Philip K. Dick Cinema é uma homenagem ao autor cujo livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?” inspirou o filme “Blade Runner”.

10) Fica tudo mais elucidado com os sinais do Dekkers Department Stores e Tyrell Corp em segundo plano.

11) Asimov Foundation é uma homenagem ao escritor de ficção-científica Isaac Asimov.

12) O Grim Reaper [Ceifador] do artwork de “Live After Death” e “The Trooper”.

13) The Phantom Opera House refere-se à música da banda e à banda-sonora [da publicidade do refrigerante] Lucozade.

14) Referência ao West Ham na ponte. De acordo com o placar, os Hammers parecem ter dado uma abada ao Arsenal.

15) Ao fundo da estrada há uma placa néon que diz que os Gypsy’s Kiss vão actuar naquela noite. Era a primeira banda de Steve Harris. Também é calão de Cockney para mijo.

Contracapa – secção 4

1) Gostas de um prato de peixe que demora cerca de 14 minutos a ser preparado? Vai ao Ancient Mariner Seafood Restaurant. [“The Rime of the Ancient Mariner”]

2) As Bradbury Towers podem ser encontradas em Upton Park, que já foi a casa do West Ham United, a amada equipa de futebol de Steve Harris.

3) Sob a placa das Bradbury Towers está escrito “Maggie’s Revenge”, a falecida primeira-ministra conservadora cujo apelido era “The Iron Maiden”.

4) Batman pode ser visto a espreitar nas sombras da ponte.

5) A t-shirt de Nicko McBrain diz “Iron Wha?”. «Reclamaram porque [o desenho] não era exactamente igual a eles. Como assim? Têm centímetros de altura. São do tamanho de selos», disse Riggs.

6) Bruce Dickinson está a segurar um cérebro, uma referência ao álbum de 1983, “Piece of Mind”.

Consultar artigo original em inglês.