Considerados por muitos como os ocupantes do vazio deixado pelos Opeth no death metal progressivo quando os gigantes suecos decidiram rumar para um género... In Mourning “Garden of Storms”

Editora: Agonia Records
Data de lançamento: 04.10.2019
Género: death metal progressivo
Nota: 4.5/5

Considerados por muitos como os ocupantes do vazio deixado pelos Opeth no death metal progressivo quando os gigantes suecos decidiram rumar para um género mais experimental/rock/melódico, ou o que gostarem mais de lhe chamar, os In Mourning têm vindo a satisfazer os apreciadores do género com a sua sonoridade harmoniosa e altamente cativante.

Com “Garden of Storms”, o grupo termina a trilogia que iniciou em 2012 com o muito aclamado “The Weight Of Oceans”, em que é narrada a história de um homem que é desafiado por marinheiros a enfrentar o seu medo do oceano e a viagem marítima que se segue serve não só para confrontar o medo como para conquistar o próprio oceano em si.

Começando às mil maravilhas com “Black Storm”, um dos mais poderosos temas do disco, os suecos põem em cima da mesa tudo o que já nos habituaram; ou seja, melodias impecáveis, riffs memoráveis e uma fusão invejável de suavidade vocal e instrumental com o extremo oposto, existindo um equilíbrio perfeito entre death metal melódico, metal progressivo e ainda um véu ligeiro, mas sempre presente, de doom e gótico.

Tal como aconteceu nos dois capítulos anteriores desta trilogia, a banda promete e cumpre com a entrega de um conjunto de temas de se lhe tirar o chapéu, cada um deles único e verdadeiramente memorável. Se “Black Storm” é a bomba que é, “Hierophant” e “Huntress Moon” não lhe ficam atrás, sendo a primeira o tema mais catchy e rápido do álbum e a outra uma avalanche que traz em si a faceta mais épica e agressiva da banda. Já “Yields of Sand” é boa para contrastar o mais melódico com o mais agressivo que o grupo consegue ser e depois fazer o habitual ao unir os dois na perfeição. Para fechar em beleza, mas sem floreados (desses já há muitos na capa do disco), “The Lost Outpost” deixa-nos com aquela tristeza de “Garden of Storms” ter acabado cedo demais.

Em comparação com as duas primeiras partes da trilogia, não há grandes diferenças, se é que sequer se pode dizer que existem diferenças a nível de sonoridade entre os três álbuns. Não há nenhum que possa ser considerado o mais melódico, o mais rápido ou o mais melancólico; é muito mais apropriado baptizá-los como o mais azul, o mais laranja e o mais rosa, pois o som dos In Mourning mantém-se idêntico e, no entanto, com temas fantásticos e fortíssimos tanto aqui como em “Afterglow” e em “The Weight of Oceans”. Porém, isso também acaba por fazer da trilogia um só disco bastante extenso e com poucas diferenças entre uma faixa de 2019 quando posta ao lado de uma de 2012.

Também as previstas influências de Opeth da era pré-“Heritage” são irreconhecíveis, mas associar os In Mourning a mais uns aprendizes de Opeth seria mais do que redutor quando a banda comprova ser mestre na sua arte, juntamente com outros bons exemplos contemporâneos como os Be’Lakor, Insomnium e Ne Obliviscaris. “Garden of Storms” é mais um certificado de qualidade na carreira dos In Mourning, um álbum que certamente estará entre os melhores que saíram este ano.