“Telemark” é o primeiro de uma série de dois EPs onde Ihsahn dará a conhecer duas facetas musicais tão distintas quanto contíguas, com este... Ihsahn: «A atitude do Lenny Kravitz e a atitude original do black metal são muito semelhantes»

“Telemark” é o primeiro de uma série de dois EPs em que Ihsahn dará a conhecer duas facetas musicais tão distintas quanto contíguas, com este primeiro lançamento a mostrar-nos o lado mais agressivo e negro da identidade musical do músico norueguês. Para o EP, e fiel ao conceito musical que nos apresenta neste curto registo, Ihsahn decidiu gravar covers de Iron Maiden e – surpreendam-se – Lenny Kravitz. O músico comenta as suas escolhas em exclusivo à Metal Hammer Portugal.

«Ao desenvolver “Telemark”, coloquei por escrito aquilo que queria ver espelhado no conceito ou no formato do EP, como uma espécie de guia. Para este projecto em particular escolhi uma instrumentação e uma produção que soasse a uma banda de metal ou rock a tocar numa pequena sala. Então, escolhi gravar essas duas covers antes sequer de ter dado início ao processo de composição deste EP, de forma a estabelecer o caminho que queria seguir em termos de produção. Não é segredo nenhum que sou fã de Iron Maiden e que o “Seventh Son of a Seventh Son” é um grande álbum e o meu favorito deles, pelo que até a mim pareceu-me um pouco estranho o facto de decidir gravar uma cover dos Iron Maiden pela primeira vez e ter escolhido “Wrathchild”, um tema da era do Paul Di’Anno. A razão deve-se ao facto de “Killers” [1981] apresentar aquela crueza típica da sonoridade heavy metal inicial, o que foi desde logo uma razão para o querer fazer, mas também porque ouvi muitas covers de bandas de black metal que berram nos vocais e odeio isso, pois sinto que a voz detém a linha melódica principal da maioria das bandas heavy metal da década de 1980, e se a abordagem aos vocais for idêntica à do black metal perde-se metade da música. Foi uma escolha prática no sentido em que precisava de um tema em que a voz seguisse a orientação dos riffs da guitarra, de forma a não perder conteúdo melódico e a conseguir representar a música na íntegra e não apenas parte dela.»

«Quanto ao Lenny Kravitz, “Rock ‘n’ Roll Is Dead” é provavelmente a minha música favorita dele. A produção, a letra, o groove que contém, e até a atitude do tema é muito boa. Embora perceba que há pessoas que vão ficar surpresas por não verem a ligação, se prestarem atenção à letra vão ouvir que o rock ‘n’ roll está morto. É uma afirmação ousada, mas a intenção da letra é criticar as tendências, o foco no dinheiro, fama e sucesso, ou seja, no lado superficial da música. A essência do rock ‘n’ roll é a música e não os resultados que daí advêm. Não se trata de fama e dinheiro. A meu ver, o Lenny Kravitz trabalha muitos aspectos essenciais que estão igualmente ligados ao black metal, pois está focado na expressão artística pura e não em tudo o resto. A atitude do Lenny Kravitz e a atitude original do black metal são muito semelhantes.»

“Telemark” sai hoje, dia 14 de Fevereiro, pela Candlelight.