Uma retrospectiva sobre o primeiro grande álbum goth metal do Séc. XXI. HIM: como “Razorblade Romance” colocou Ville Valo no caminho para a imortalidade no goth metal

Uma retrospectiva sobre o primeiro grande álbum de goth metal do Séc. XXI.

Após o sucesso da estreia com “Greatest Lovesongs Vol. 666”, os HIM estavam em altas, tanto na Finlândia como na Alemanha, embora poucos ainda tivessem ouvido falar deles no Reino Unido. O álbum obteve disco de platina no seu país natal, com os singles “Your Sweet Six Six Six” e “Wicked Game” a passarem regularmente nos bares alternativos da Europa. Ofertas de concertos, lugares em festivais e aparições na TV vieram à tona – as coisas estavam a começar a acontecer, por isso o próximo passo dos HIM era crucial.

Os trabalhos iniciais naquilo que se tornaria “Razorblade Romance” começaram com Hiili Hiilesmaa nos famosos Finnvox Studios em Helsínquia, mas aconteceram atrasos devido a mudanças na formação e compromissos de digressão motivados pelo sucesso repentino na Alemanha. Separaram-se do baterista Pätkä e do teclista Antto, recrutando Gas Lipstick e Juska para os seus lugares – embora o álbum fosse o único de Juska com HIM, marcou o início de uma longa amizade profissional com Gas. O material que gravaram com Hiili foi descartado e o trabalho recomeçou no Reino Unido.

Assim, os HIM mudaram-se para os Rockfield Studios, no País de Gales, com o produtor John Fryer, o homem responsável pelo debutante “Dawnrazor” dos Fields Of The Nephilim e “Pretty Hate Machine” dos NIN. Aparentemente, a escolha do local havia sido inspirada devido ao recente uso do espaço pelos Black Sabbath como sala de ensaio. Mais tarde, Ville disse que gostava da ideia de usar a mesma cabine de voz de Ozzy, descrevendo HIM como uma «banda de tributo a Black Sabbath que toca material original».

“Razorblade Romance” representou uma reinvenção muito subtil do som dos HIM. As suas anteriores influências no doom eram agora dramaticamente minimizadas e entrelaçadas com linhas de dark pop e glam metalizadas. Ville já era conhecido pela sua voz profunda e pelas músicas melancólicas sobre amor perdido, mas as suas novas letras eram ainda mais pessoais do que antes, parecendo, por vezes, um diário aberto. Fez experiências com a sua voz e deu às músicas uma maior vulnerabilidade, e fez com que o álbum soasse mais como os concertos do que com o disco de estreia. Aperfeiçoando o som da imagem de marca que era o love metal, “Razorblade Romance” ganharia rapidamente um estatuto quase clássico entre fãs e críticos.

A imagem do anjo caído em tons de sépia da estreia deram lugar a uma capa cor-de-rosa que viu Ville adoptar a aparência de um glammie escandinavo, sobre o qual alegou ser uma tentativa de se afastar da personalidade gótica de HIM. De qualquer maneira, as suas poses sensuais atraíram um público feminino maior e, apesar de todo o cabedal negro e o gloss, Ville nunca conseguiu livrar-se do manto gótico – actuar ao lado de ícones sombrios como The Sisters Of Mercy e Fields Of The Nephilim naquele Verão provavelmente também não ajudou muito.

Em Maio de 2000, o Reino Unido recebeu uma versão ligeiramente diferente de “Razorblade Romance”, cinco meses depois do resto da Europa. Foi o primeiro lançamento deles no Reino Unido e foi inaugurado com uma versão mais pop de “Your Sweet 666”, que, como a cover de “Wicked Game”, um original de Chris Isaak, foi especialmente regravada para a ocasião – as duas músicas também foram lançadas como singles. Embora as suas estruturas permanecessem inalteradas, John Fryer acrescentou mais ênfase à melodia e aos enormes coros que foram equilibrados com a quantidade certa de peso.

As baladas negras “Poison Girl” e “Gone With The Sin” confirmaram as raízes doom da banda, mas foram alimentadas com um novo calor, enquanto a apaixonada e orientada ao piano “Join Me In Death” era o epítome do rock gótico moderno. Encurtada para apenas “Join Me”, tornou-se o single finlandês mais vendido e originou controvérsia pelas letras que alguns sugeriam incentivar o suicídio. Ville defendeu a música explicando que era simplesmente uma interpretação rock de “Romeu e Julieta” de Shakespeare.

Noutros lugares, os ritmos galopantes e as guitarras arrepiantes de “Right Here In My Arms” e “I Love You” confirmaram que os finlandeses poderiam compor músicas rock incrivelmente atraentes. Uma balada adicional, “One Last Time”, fechou a versão europeia e ajudou a colocá–los no topo das tabelas na Finlândia e na Alemanha. Mas no Reino Unido continuaram a ser os outsiders – os HIM não se encaixavam na cena nu-metal nem na cena gótica, e, na época, dominava a música electrónica. No entanto, o lado bom das coisas não estava muito longe – Bam Margera estava na plateia num dos primeiros concertos em Londres e ajudaria a banda a elevar o perfil internacional de uma forma muito grande.

Os HIM sempre souberam que o mercado do Reino Unido seria difícil de quebrar, por isso, quando finalmente conseguiram, três anos depois, ninguém ficou mais surpreso do que a própria banda. Mas dado o talento evidenciado em “Razorblade Romance”, o breakthrough dos HIM era inevitável.

Consulta o artigo original em inglês.