Com puro metal clássico a correr-lhes nas veias, os nipónicos Hell Freezes Over trazem a sua sonoridade rasgada até ao Ocidente. Hell Freezes Over: heavy metal analógico

Origem: Japão
Género: heavy/thrash metal
Último lançamento: “Hellraiser” (2020)
Editora: Carnal Beast
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Entrevista e review: Diogo Ferreira

Com puro metal clássico a correr-lhes nas veias, os nipónicos Hell Freezes Over trazem a sua sonoridade rasgada até ao Ocidente.

«Queremos levantar questões. Neste mundo de conveniência, o que achas que é realmente importante? Numa palavra: simplicidade ou facilidade?»

Novo lançamento: «Lançámos o nosso primeiro álbum “Hellraiser” a 26 de Agosto de 2020. O álbum foi gravado em fita analógica e nada foi editado em computador. Além disso, as back-tracks são gravadas ao vivo. Pensámos muito nisso, porque temos dois objectivos com este álbum. O primeiro é fazer com que o mundo ouça o nosso som e a nossa música, não apenas no Japão. Em segundo lugar, queremos levantar questões. Neste mundo de conveniência, o que achas que é realmente importante? Numa palavra: simplicidade ou facilidade? Pense-se nisso. Este álbum é a antítese desse mundo. Este álbum foi feito para questionar a fundação deste mundo. Esperamos que esta seja uma oportunidade para os ouvintes terem tempo para pensar.»

Produção: «Todo o álbum, além do videoclipe de “Overwhelm”, foi gravado totalmente em analógico. Decidimos ir totalmente pelo analógico porque era a melhor combinação para o nosso estilo de metal e, honestamente, porque sempre o quisemos experimentar. O nosso último EP foi uma gravação digital. Foi um processo meticuloso de se fazer. Embora tenhamos usado um método não-contemporâneo, a gravação não conseguiu captar o que queríamos expressar. Não queríamos nenhum arrependimento desta vez. Decidimos que seria analógico ou nada, e até filmámos o videoclipe em 16mm. Fomos meticulosos. Quando assistirem ao vídeo e ouvirem o álbum, queremos que sintam a nossa paixão. A paixão estava no centro de tudo. Queremos que ouçam, vejam e sintam este disco com todos os cinco sentidos!»

Sonoridade e influências: «No EP não usámos efeitos, e em vez disso tocámos com os amplificadores no volume máximo para nos expressarmos. Mas desta vez, partimos para esta peça com mais atenção aos instrumentos e à gravação. Por causa da inspiração nas músicas dos anos 70 e 80, usamos instrumentos fabricados por volta dos anos 80 para trazermos esse som de volta ao Séc. XXI com uma nova essência musical. Não é apenas uma mera repetição do passado. Quanto à gravação, não se trata apenas de ser analógica, pois tentámos captar a atmosfera entre cada um dos membros. Por outras palavras: sons ambientais do espaço. Actualmente, quase todas as faixas gravadas têm sons bem separados para cada parte. Mas o nosso pensamento sobre o som da banda é misturado e groovy. É por isso que as back-tracks são gravadas ao vivo. Podem sentir isso através dos nossos sons.
Os artistas pelos quais fomos mais influenciados são Metallica, Dio, Megadeth, Queen e assim por diante. Todos faziam gravações analógicas. A música deles explode pelos salões dos deuses, e queríamos honrar essa tradição ao fazermos a nossa própria gravação inteiramente analógica.»

Review: Aquele bom e velho riff heavy metal de que tanto gostamos… Pronta para conquistar o mundo a partir de terras nipónicas, a banda de Tóquio possui uma sonoridade que muito se equipara ao que as bandas da Bay Area fizeram: inspiram-se na NWOBHM e evoluem para algo mais pesado e esgalhado – sim, o eterno thrash metal. Encontra-se uma ou outra reminiscência mais directa de Judas Priest ou Metallica, mas estão no caminho certo e a execução é excelente.