“Of Truth and Sacrifice” lança-nos numa atmosfera de pânico e estado de emergência. Heaven Shall Burn “Of Truth & Sacrifice”

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 20.03.2020
Género: melodic death metal / metalcore
Nota: 4/5

“Of Truth and Sacrifice” lança-nos numa atmosfera de pânico e estado de emergência.

Os alemães detêm um estatuto icónico, sobretudo na Europa, muito fruto de um isolamento por parte das bandas americanas no que toca ao metal extremo. Ora, após quatro anos afastados dos lançamentos, os Heaven Shall Burn anunciaram um portentoso disco duplo com quase 100 minutos, o que poderia soar a entediante, tendo em conta a filosofia e a sonoridade do grupo de Saalfeld. Mas a partir de “March of Retribution”, “Thoughts and Prayers” e “Eradicate”, o grupo demonstra uma fome insana para a surpresa, sobressaindo-se pelo seu poderio lírico e por faixas realmente bem estruturadas.

Ao longo dos anos, mais de 20 para ser preciso, o quinteto capacitou-se de inspirações verdadeiramente europeias, com alguns toques de sonoridades teutónicas e letras realmente sombrias. Sem quererem ser pretensiosos, apesar da ausência dos holofotes, os alemães produziram uma épica compilação de faixas que falam das crises actuais, da autocracia e de guerra, entre outros temas. Como reis do metalcore, “Of Truth and Sacrifice” lança-nos numa atmosfera de pânico e estado de emergência (tema por demais actual, infelizmente), tornando este álbum numa epopeia metaleira que não fica nada atrás dos grandes lançamentos dos últimos anos.

Mas sem a intenção de se fazer uma review faixa-a-faixa, a verdade é que há aqui algumas pérolas, fazendo deste longa-duração uma quase obra-prima contemporânea. Basta para tal verificar a imponente “My Heart And The Ocean”, a poderosa “Übermacht” e a grandiosa “Children of a Lesser God”, que abre o segundo disco de um longa-duração que é já o nono de uma bela discografia. É, principalmente, neste “Of Truth and Sacrifice” que se percebe o grau de amadurecimento deste quinteto alemão, deixando a tendência de criar cacofonia metalcore para criar um épico do metalcore e da música extrema. Acrescentando-se tonalidades de black metal em “La Résistance”, juntamente com a instrumental “The Ashes Of My Enemies”, este nono disco de estúdio é elevado a outro patamar. Mas, ao mesmo tempo, impossível esquecer a incrível “Expatriate”, uma viagem por sonoridades diferentes que nos guiam para um extremo inesquecível. As duas metades complementam-se de forma surpreendente, esgotando, de forma positiva, o ouvinte, que, ao chegar a “Weakness Leaving My Heart”, se depara com um verdadeiro portento sonoro que nos deixará de rastos.

É o melhor disco dos Heaven Shall Burn? Talvez. É um lançamento que ficará sempre no ouvido dos fãs do metal extremo.