“Gwydion” reúne a matriz black e pagan metal do início do grupo, com passagens pelo heavy metal convencional, pelo death escandinavo... Gwydion “Gwydion”

Editora: Art Gates Records
Data de lançamento: 13.11.2020
Género: folk/death metal
Nota: 4/5

“Gwydion” reúne a matriz black e pagan metal do início do grupo, com passagens pelo heavy metal convencional, pelo death escandinavo e pelo folk metal que tinge o álbum por completo.

Após 25 anos de resistência, de ideias e de experiências acumuladas no underground da música pesada que se faz em Portugal, os Gwydion têm álbum novo. É o quinto da discografia iniciada na gravação de “Ynis Mön”, em 2007, um regresso às raízes da mitologia celta na origem do projecto. As letras e o conceito de “Gwydion” provêm do medieval “Book of Taliesin” (título homónimo do segundo álbum dos Deep Purple), uma colectânea de poemas transformados em contos publicada no Séc. XIV a partir dos manuscritos deixados por Taliesin, um poeta bardo, contemporâneo da corte do Rei Artur. Por agora, a cultura da Era Viking passa à história e ficamo-nos pela banda-sonora de contos dos Cavaleiros da Távola Redonda. A banda de Miguel Kaveirinha e Luís Figueira (guitarras), Pedro Dias (voz), Daniel César (teclas), Bruno Ezz (baixo) e Marta Brissos (bateria) cansou-se das sagas e prossegue na direcção do universo das lendas arturianas.

“Gwydion” reúne a matriz black e pagan metal do início do grupo, com passagens pelo heavy metal convencional, pelo death escandinavo e pelo folk metal que tinge o álbum por completo, incluindo a música tradicional portuguesa da última faixa. O conjunto dos 14 temas deste projecto associado ao viking metal tem um bom trunfo na disposição do alinhamento cujo resultado final é bastante harmonioso. O entendimento melódico entre os dois guitarristas, a cumplicidade possante da dupla baixo-bateria, o registo aguerrido das vocalizações em combinação com a abundância de coros e a tonalidade épica das composições são as características que melhor definem esta gravação. A intervenção dos teclados, aqui e ali, acrescenta uns picos de rock sinfónico. Sente-se, em geral, que outro tipo de produção podia favorecer alguns temas. Com este repertório diversificado, síntese do trabalho da banda no último quarto de século, “Gwydion” dá entrada no catálogo do novo selo da banda – a Art Gates Records.

Outro dos factores relacionados com a dinâmica e diversidade do álbum é o reforço que emprega quatro vocalistas em diferentes músicas, para além de Pedro Dias na formação actual. A saber, por ordem de entrada no alinhamento: Mats Milsson (Brothers of Metal) em “Hostile Alliance“, Artur Almeida (Attick Demons) em “Battle of Alclud Ford”, Pēteris Kvetkovskis (Skyforger) em “Cad Godeu”, Rúben Almeida (um dos fundadores e anterior vocalista) em “Gwydion” e Isabel Cavaco (Dogma) em “Roda”.

Por entre a variedade, qualidade e quantidade da oferta produzida pelos Gwydion, destacam-se “Battle of Alclud Ford”, uma fusão épica de folk com NWOBHM, “Hostile Alliance”, o single de cornos no ar com um groove arrebatador, e “Steed Song” pelo mesmo motivo, “Cad Godeu” (Batalha das Árvores), o poema que refere uma história tradicional em que o lendário feiticeiro Gwydion anima as árvores da floresta para lutar como seu exército, “Ale, Mead, and Wine”, uma ode ao vinho, à cerveja, e ao hidromel = f.e.s.t.a.!, e, por último, “A Roda”, que destoa da melhor forma do restante alinhamento, o único acústico do álbum, um tema inspirado na música tradicional portuguesa com a voz quente e suave de Isabel Cavaco colada a Né Ladeiras.