Sendo membros activos da cena metal alemã, os Grave Digger surgiram numa década que vingou e trouxe para a ribalta os sons mais pesados... Alex ‘Ironfinger’ Ritt (Grave Digger): «Não somos empregados que têm de criar o que um mestre ordenou»

«Sentimo-nos muito honrados por ainda sermos uma grande parte da cena metal alemã.»

Alex ‘Ironfinger’ Ritt

Sendo membros activos da cena metal alemã, os Grave Digger surgiram numa década que vingou e trouxe para a ribalta os sons mais pesados do heavy, com o surgimento de diversos estilos. Ao mesmo tempo que tudo acontecia na proliferação de novos géneros, como o heavy metal, thrash metal, speed metal, entre outros, a verdade é que a música mais marcante e inspiradora estava a findar. Apesar de elevada concorrência, o trio, que depois passou a quarteto, soube manter os pés firmes na terra e na indústria, com álbuns como “Heavy Metal Breakdown” e “Witch Hunter”, que lançaram a banda num caminho de longevidade impressionante. Ora, a chegada das décadas de 1990 e de 2000 não travaram os alemães, mantendo sagas ao longo da discografia. No rebentar de um ano para esquecer, os Grave Digger conseguiram criar um álbum, intitulado “Fields of Blood”, que é expansivo e que revela novas toadas na sua música, sobretudo num longa-duração que marca o fim de uma trilogia intensa (“Scottish Highlands”). Sobre o novo trabalho, Alex ‘Ironfinger’ Ritt fala-nos um pouco acerca da temática do derradeiro disco, ao mesmo tempo que destaca a contínua importância de uma banda que celebra 40 anos de existência. «Bem, sentimo-nos muito honrados por, após esse longo período de tempo, ainda sermos uma grande parte da cena metal alemã. Enquanto os fãs comprarem os nossos álbuns e forem aos nossos concertos, acho que continuamos a rockar até o fim.»

Sendo este um dos discos mais expansivos da carreira do grupo, a introdução de novas sonoridades acaba por ser uma faca de dois gumes, pois poderá descaracterizar um som que tornou a banda tão famosa. Ora, Ironfinger dá-nos o seu ponto de vista acerca disso. «Bem, há um espaço muito pequeno para o metal clássico alemão, por isso não há muitas maneiras de inserir novas influências nas composições. Isto arrasta-se há décadas – se colocarmos alguns elementos novos na nossa música, as pessoas choram, ‘Aaaah, isto já não é Grave Digger’, se fizermos um álbum de metal clássico, com todas as marcas da banda, as pessoas choram, ‘Aaaah, é sempre o mesmo’.»

Falando mais especificamente de “Fields of Blood”, o seu dinamismo – e a narrativa final da trilogia – acaba por adicionar camadas mais densas de finalidade, com várias faixas a apresentarem o término de algo, mas também o começo de novos conceitos, com o guitarrista a revelar que a banda já prepara o novo longa-duração. «Sim, de facto. Esta será a última parte da História da Escócia, portanto não haverá mais percussionistas históricos e gaita-de-foles. Por outro lado, o Chris [Boltendahl, voz] e eu, já estamos a trabalhar em novas músicas para o próximo álbum, que também será um verdadeiro destaque do metal alemão. Fiquem atentos!»

Trazendo à baila um tema muito discutido com as bandas, a relação amor-ódio pode, por vezes, ser um combustível que motiva a banda a melhorar o seu som. Para o guitarrista, tal não se aplica. «Não, definitivamente não. Não nos importamos se alguns críticos foram por um caminho estranho. É muito simples: se não gostarem do álbum ou da música, simplesmente não ouçam, e deixem os fãs, que gostam da composição, divertirem-se. Não somos empregados que têm de criar o que um mestre ordenou. As críticas ao novo álbum são excelentes, portanto acho que fizemos algo bom com “Fields Of Blood”.»

“Fields of Blood” foi lançado a 29 de Maio de 2020 pela Napalm Records.