“Heaven’s Demise” está cá de pedra e cal, esperando-se que seja capaz de abrir portas europeias para que Portugal possa ter o seu cantinho... Glasya “Heaven’s Demise”

Editora: Pride & Joy Music
Data de lançamento: 12.07.2019
Género: symphonic metal
Nota: 4/5

É da Alemanha e da Holanda que vem o metal sinfónico mais relevante, com Epica à cabeça, mas em Portugal surge uma banda muitíssimo promissora que dá pelo nome de Glasya. Se já temos grupos afectos ao death metal (Analepsy) e ao black metal (Gaerea) bem implementados na Europa, que bom seria os Glasya cravarem a sua assinatura no panorama sinfónico. E não há aqui paternalismos nem patriotismos – o que os Glasya fazem neste álbum de estreia têm enorme qualidade, tanto ao nível da composição como da produção.

A melhor forma de caracterizar o que se ouve neste “Heaven’s Demise” é dizer que os Glasya inserem-nos em cenários cinematográficos em todas as músicas, revelando ainda mais que não se trata de uma banda novata, até porque inclui membros que já passaram por, a título de exemplo, Enchantya. Musicalmente, “Heaven’s Demise” é contagiante à custa de vários pormenores que se unem num só, com galvanizante destaque para as orquestrações – afinal estamos a falar de uma banda de metal sinfónico. A bateria extremamente bem captada em conjunto com as guitarras ritmadas (que várias vezes se desdobram em leads e solos) criam o fundo maduro que permite Eduarda Soeiro brilhar com a sua voz semi-operática em constante confronto amigável com os portentosos, densos, elevatórios e bem-aplicados arranjos orquestrais que germinam do princípio ao fim do disco.

Muito do que neste trabalho é apresentado pode ser catchy (e ainda bem), mas nada é cheesy, nem a banda se permite a incorrer por clichés baratuchos. “Heaven’s Demise” está cá de pedra e cal, esperando-se que seja capaz de abrir portas europeias para que Portugal possa ter o seu cantinho na cena sinfónica – se os Glasya forem capazes disso, ganhamos todos.