O álbum de estreia dos Ghost, “Opus Eponymous”, fez 10 anos em 2020. Aqui estão 10 coisas que não sabias sobre esta obra-prima do... Ghost: 10 coisas que não sabias sobre “Opus Eponymous”

O álbum de estreia dos Ghost, “Opus Eponymous”, fez 10 anos em 2020. Aqui estão 10 coisas que não sabias sobre esta obra-prima do metal ocultista.

Quando “Opus Eponymous”, dos Ghost, foi lançado a 18 de Outubro de 2010, poucos esperavam que esta estranha banda de Linköping, Suécia, se tornasse uma das maiores histórias de sucesso da década seguinte. Mas foi exactamente isso que aconteceu com estes mascarados metaleiros ocultistas.

À Metal Hammer, o mentor dos Ghost, Tobias Forge, recorda o nascimento da banda e a produção do seu álbum de estreia. Eis 10 coisas que aprendemos sobre “Opus Eponymous”.

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1. Ghost era originalmente apenas um dos vários projectos em que Tobias estava envolvido
Tobias tocou em várias bandas desde a adolescência, incluindo os roqueiros alternativos Magna Carta Cartel, os revivalistas do hair metal Crashdiet, o grupo de indie-rock Subvision e os descontentes do death metal Repugnant. Os dois últimos ainda continuavam quando Tobias começou a escrever músicas para o que se tornaria Ghost no final dos anos 2000. «Entre os 19 e os 29 anos fui um músico muito mal-sucedido», diz Tobias. «Eu estava num ponto de desespero – era pai há um anos, a enfrentar o facto de que, f*da-se, precisamos de mais dinheiro. Então decidi fazer algo.»

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2. Tobias trabalhava num call-center quando concebeu o conceito de Ghost
Enquanto Ghost ganhava forma na cabeça do seu frontman, Tobias ainda tinha que ajudar a pagar as contas e meter comida na mesa. Então, conseguiu um emprego a trabalhar para uma empresa sueca de telemóveis. «É tão ridículo, porque não sei nada sobre telefones ou computadores», diz. «Dominei a arte da mentira.»
Enquanto lá esteve, Tobias começou a esboçar músicas, conceitos e o logótipo de Ghost à medida que falava ao telefone com os clientes. «Estava ali sentado a desejar outra vida», diz.

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3. Tobias nunca planeou ser o vocalista de Ghost
«Sempre fui um grande fã de Slash e Keith Richards», diz. «Eu queria ser o guitarrista porreiro em vez de vocalista.» Tobias contactou vários vocalistas estabelecidos para lhes perguntar se queriam cantar as músicas que tinha escrito, incluindo o ex-frontman dos Candlemass, Messiah Marcolin, Janne “JB” Christoffersson de Grand Magus e o ex-vocalista de Ynwgie Malmsteen, Mats Leven, entre outros. Nenhum aceitou. Relutantemente, Tobias percebeu que se queria que o trabalho fosse feito, então teria de o fazer ele mesmo.

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4. A influência mais improvável para Ghost? Ópera.
A mãe de Tobias levava-o regularmente à ópera quando era criança. Tobias não gostava de tudo o que via e ouvia, mas havia algo profundamente místico na sala em si.
«A decoração, o fumo, o cheiro, o silêncio antes da cortina subir», diz. «Apaixonei-me pela ideia do teatro. Estava a tentar fazer de Ghost uma versão teatral do rock’n’roll. Uma cena em que não precisavas realmente de te entregar à individualidade, às estrelas do espectáculo, apenas ficar perdido na névoa da fantasia.»

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5. No mesmo dia em que Tobias lançou oficialmente Ghost, a tragédia aconteceu
Tobias carregou três músicas no MySpace na manhã de sábado de 12 de Março de 2010. Mais tarde naquela noite, o seu irmão mais velho, Sebastian – que tinha apresentado a Tobias a música rock, banda-desenhada e filmes de terror –, morreu repentinamente vítima de doença vascular desconhecida. «Pareceu uma troca esquisita: a banda pelo meu irmão», diz Tobias. «Foi do tipo: ‘Isto aconteceu, não há nada que possa fazer, só tenho de pegar na bola e correr com ela.’ E tenho corrido com ela desde então.»

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6. O dono da editora Rise Above, Lee Dorrian, não tinha a certeza do que raios tinha contratado
O antigo frontman de Napalm Death / Cathedral, Lee Dorrian, contratou os Ghost sem os ver depois de ouvir as suas músicas no MySpace por recomendação do baterista dos Darkthrone, Fenriz. Mas quando Tobias pediu dinheiro para um manto, começou a perguntar no que se meteu.
«Naquela altura, eu ainda não tinha visto como eles eram», recorda Lee. «O Tobias pediu dinheiro, o que estava a aumentar, para um manto à medida que ele precisava para uma sessão de fotos. Acabou a custar mais do que a própria sessão. Eu estava do tipo: ‘Merda, é bom que seja um manto decente.’ Depois as fotos chegaram, as primeiras fotos que vimos. Foi do tipo: ‘F*da-se…’»

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7. A primeira foto promocional dos Ghost não apresentava os Ghost
A tal primeira foto da banda com os seus trajes – aquela com o manto caro que fez Lee Dorrian perguntar o que andavam a fazer – foi tirada pela irmã de Tobias na sala-de-estar de um amigo e apresentava outras pessoas. «Era eu, um gajo que acabou por entrar na banda um pouco depois, o vizinho dele, um amigo dele e outra pessoa», ele. «Era completamente falso.»

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8. Tocar em circuitos de esterco nunca foi uma opção
O que Tobias não queria era seguir todas as outras bandas e cair no circuito europeu de casas-de-banho. «Eu disse: ‘Não podem ser apenas dois gajos em t-shirt a tocar três músicas e um monte de versões de Mercyful Fate num bar.’ O que ouvia através das colunas não era digno disso.»
Tobias revelou publicamente a banda no festival Hammer of Doom em Wurzberg, Alemanha, a 23 de Outubro de 2010. No dia seguinte, voaram para Londres, para tocarem no Live Evil Festival, na sala Camden Underworld, com capacidade para 500 pessoas.
«Não havia muitas pessoas na assistência», diz Lee Dorrian, que foi ao concerto. «E a maioria nem sabia quem eles eram. Quando eles começaram, foi do tipo: ‘Uau, que raio é isto?’»

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9. Manter em segredo as identidades dos membros de Ghost era um problema – mas não pelos motivos que podes imaginar
«Nunca o fiz por ser tímido ou por não querer ser visto», diz sobre o anonimato inicial da banda. «Esse não era o plano com este projecto. Não gosto da maneira como as coisas são super-expostas hoje em dia. Foi um pouco difícil com todos os que queriam espreitar para dentro, mas tinha um problema maior com as pessoas que se queriam expor», diz, referindo-se a outros membros da banda.

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10. “Opus Eponymous” é o álbum mais vendido da Rise Above

“Opus Eponymous” tornou-se o álbum mais vendido lançado pela Rise Above. Mesmo na altura, Lee Dorrian revelou que a sua editora independente não tinha os recursos para os levar ao próximo nível e não os atrapalhou quando assinaram pela Loma Vista nos EUA e pela Spinefarm no Reino Unido para o seguinte “Infestissumam” de 2013.
«Eu tinha aquela ideia ingénua de que poderíamos estar numa editora como a Rise Above e que poderíamos sair-nos bem a fazer discos com eles, talvez dar uns concertos de boutique de vez em quando», diz Tobias. «Nunca pensei que isto teria qualquer tipo de sucesso mainstream. Certamente não como tem.»

Consultar artigo original em inglês.