Forhist é pura crueza e poesia black metal ao mesmo tempo, é uma sessão de repetições hipnóticas e em espiral que... Forhist “Forhist”

Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 26.02.2021
Género: black metal
Nota: 4/5

Forhist é pura crueza e poesia black metal ao mesmo tempo, é uma sessão de repetições hipnóticas e em espiral que assombram um universo que funciona selvaticamente em harmonia.

Mais conhecido como a mente que cria a diversidade e o experimentalismo black metal de Blut Aus Nord, Vindsval tem em Forhist um novo projecto que é bem mais pessoal ao ser inspirado pelo metal negro norueguês dos anos 90, quando os teclados e as ambiências atmosféricas começaram a ganhar o seu espaço em bandas como Emperor, Satyricon e Dimmu Borgir. Todavia, podemos dizer que o francês acaba por prestar homenagem também a si próprio se tivermos em conta discos mais ortodoxos de Blut Aus Nord como “Memoria Vetusta I: Fathers of the Icy Age” (1996), esta que foi a primeira parte de mais duas que foram posteriormente lançadas em 2009 e 2014.

Com título homónimo, esta nova proposta é uma caminhada solitária às profundezas dos bosques, tratando-se de um conjunto de oito faixas com elementos bucólicos como chuva, água corrente, vento, pássaros e até grilos. Por outro lado, e em consonância, representa de igual modo um regresso ao útero espiritual de onde a negritude emerge primeiramente, tudo num quadro figurativo daquilo que pode ser a união entre o breu desconhecido de densas florestas e os confins inexplorados do nosso próprio ser enquanto homens e mulheres.

Mais melódico do que dissonante e mais directo do que experimental ou vanguardista, Forhist é pura crueza e poesia black metal ao mesmo tempo, é uma sessão de repetições hipnóticas e em espiral construídas por guitarras corridas que assombram um universo que funciona selvaticamente em harmonia com leads preponderantes, vozes malévolas e imperceptíveis, alguns coros místicos e sintetizadores que preenchem ao fundo todo um corpo sónico edificante.

“Forhist” é, em suma, um escape épico que tanto nos rodeia de nostalgia como afirma que este tipo de black metal nunca se tornou datado; antes pelo contrário, são bandas como Blut Aus Nord e os seus anos 90 que nos deram aquilo a que hoje chamamos de post-black metal e que tantos novos fãs tem angariado para a causa.

Vindsval pode não ser o primeiro nome que te vem à cabeça quando pensas em metal obscuro de finais do Séc. XX – e, sim, antes de França pensamos sempre em Noruega e Suécia –, mas deixou, e continua a deixar, a sua marca, sendo um protagonista do passado e do presente que temos de ter em muita consideração.