Renascidos após 10 anos de ausência, os espanhóis Falcata oferecem-nos o seu black metal pejado de melodias heavy metal e conceitos... Falcata: contos ibéricos

Origem: Espanha
Género: melodic black metal
Último lançamento: “Falcata” (2020)
Editora: independente
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Renascidos após 10 anos de ausência, os espanhóis Falcata oferecem-nos o seu black metal pejado de melodias heavy metal e conceitos pagãos ibéricos.

«O objectivo é óbvio: um álbum do qual nos possamos orgulhar.»

Objectivos: «Precisamos de um pouco de história para colocarmos as coisas em ordem… No início de 2020, o Mario ligou-me com uma grande notícia: Falcata voltou! E lembrou-me da noção básica sobre isto: desta vez, somos os únicos, é a nossa banda. E ele começou a deixar-me louco nos primeiros meses porque, estupidamente, tentei escrever letras para canções que cresciam de dia para dia.
O Mario trabalhou muito com Jordi Medina (mestre da Nibiru Records), a compor, a reescrever e a adicionar guitarras até Junho! As músicas mudam, mas o cerne do álbum foi claro desde o início: uma mistura de poder épico com viking e black, um som de queimar veias!
O objectivo é óbvio: um álbum do qual nos possamos orgulhar. E o nome era uma declaração de guerra: somos nós, nem mais nem menos. Para as pessoas que nos conhecem desde os velhos tempos em Winds Of The North… Bem, esperamos que se sintam justificados para nos apoiar, porque este álbum mostra finalmente muitas das coisas boas que fazemos, mas melhor – mais trabalhado, melhor feito, melhor gravado! Quanto às pessoas que nos encontram pela primeira vez… Bem, é tempo de descobrirem a banda de Iberian Black Metal dos vossos sonhos!»

Conceito: «Não há um conceito principal em si, mas há um ritmo, um sentido ao longo de todas as músicas. Houve duas bases principais no nascimento de Falcata: a música do Mario e as minhas letras.
O Mario diz sempre que fazemos black metal melódico, e é verdade, mas em todas as músicas que ele compôs encontra-se o que chamei de “a rima antiga”. Há sempre um riff ou ritmo que evoca os tempos viking de Bathory, mas ora de uma forma mais brilhante, ora de uma forma mais sombria, tudo misturado com elementos de power e speed [metal]. E isso é perfeito, porque se encaixa exactamente no interruptor que me clica para escrever de forma absolutamente livre sobre o antigo modo de vida do paganismo ibérico e como talvez veriam o nosso mundo moderno. E aqui, na Península Ibérica, temos um monte de gente pagã: Bastuli, Lusitani, Vettones, Vascones, Celtas… Portanto temos muitas imagens e cosmovisões poderosas para mergulhar e usar como inspiração. E utilizo tudo isso quando escrevo letras para Falcata, mas neste álbum há um conjunto de ideias que se mostram uma após a outra: como o mundo moderno nos isolou, a solidão e a morte como fim de tudo, renascimento. Pensando nisso, é um disco que nasceu na sua época e espelha-o.»

Evolução e influências: «A nossa evolução sónica foi incrível! Desculpem, mas é verdade: o nosso início foi muito bom, mas é preciso perceber que tocámos juntos pela última vez há mais de dez anos… É muita chuva!
Mas falámos sobre isso – a reunião foi puramente orgânica e poderosa. É como se estivéssemos a fazer exactamente o que temos de fazer, mas agora temos mais coragem e cicatrizes para o fazer melhor… E Falcata é o resultado.
Sobre referências musicais:
Mario – Metal! [Iron] Maiden e Ray até Bathory, Venom e Possessed! Quando era novo (com uns 9 anos), havia um programa de rádio chamado Kamikaze a tocar Cannibal Corpse – foi o começo do fim… Gravar todos os programas em cassete era uma tradição, e, finalmente, com 12 anos comprei o meu primeiro vinil: “Somewhere in Time” dos Maiden. Na verdade, ouço muito black metal, principalmente atmosférico, e declaro a minha paixão absoluta por Kalmah.
Julen – Mmm… música? Ouço muitos géneros, uns que dá para imaginar e talvez outros inimagináveis. A minha vida no metal começou aos 8 anos com “Battalions of Fear” dos Blind Guardian (meu deus, as memórias…). Prometi-me que faria parte de uma banda de metal e teria cabelo comprido quando crescesse – e aqui estou. Mais tarde, os Guardian tornaram-se mais suaves e encontrei um disco com um retrato do diabo – “Black Metal” dos Venom – e o fim estava completo. Na verdade, sou apaixonado especialmente por Kalandra, The Vintage Caravan, Wardruna (como sempre) e Rail Yard Ghosts.»

Review: Afiada como a arma que dá nome à banda, a música deste duo espanhol é rica em riffs cortantes e voz demoníaca. Podendo ser inseridos no espectro do black metal melódico (como a própria banda define), o que se ouve no primeiro álbum vai além desse rótulo redutor, visto que encontramos muitas abordagens ao death metal melódico e até ao heavy metal, especialmente nos momentos mais épicos e nos solos. Em suma, Falcata é um projecto diversificado que agradará a uma vasta franja de adeptos de música extrema mas, ainda assim, melodiosa.