"Wrath of Wraths" emerge da imensa massa que gravita neste estilo com negra graciosidade. Enepsigos “Wrath of Wraths”

Editora: Osmose Productions
Data de lançamento: 27.03.2020
Género: black metal
Nota: 3.5/5

“Wrath of Wraths” emerge da imensa massa que gravita neste estilo com negra graciosidade.

“Wrath of Wraths” é o segundo álbum deste projecto que, após a estreia com “Plague of Plagues” caiu no goto da francesa Osmose Productions. O difícil segundo álbum, como sói dizer-se, poderá retirá-los do relativo anonimato, puxá-los do fundo e negro poço e trazer para a luz a sua arte densa, negra, bruta. Ao longo dos seis temas, que perfazem “Wrath of Wraths”, não há descanso, estando lá a fórmula que colocou o black metal no mapa há quase três décadas, mas envolto numa roupagem mais condizente com os actuais tempos. O equilíbrio conseguido desde o primeiro riff de “Shields of Faith” até ao esvaimento de “Water and Flesh” será capaz de agradar ao mais ortodoxo e perene seguidor do black metal como ao mais ecléctico melómano de música pesada.

Blast-beats e tremolo picking a rodos, riffs gélidos e um ambiente cortante e palpável, tudo entrecruzado com momentos menos turvos – como é o início
de “Seventh Seal” e aquele canto gregoriano no meio de “Cups of Anger” – é pura blasfémia, demonstrando ao mesmo tempo uma composição mais elaborada, cheia de elementos dissonantes e várias layers sonoras a serem descobertas em sucessivas audições (bela experiência em headphones, por exemplo) que se misturam com a berraria de V.I.T.H.R. como se estivesse a ser torturado por uma qualquer trupe inquisitorial ou, pior, tomado pelo próprio Mal. Tudo isto encapsulado numa produção mais gorda, com o dedo de Tore Stjerna, nos seus Necromorbus Studio, permite à banda funcionar como Jano, com um pé no classicismo e outro nas abordagens mais contemporâneas e abstractas do género.

Competente – muito competente -, mas complexo, com várias camadas a necessitarem de ser removidas a cada oportunidade, “Wrath of Wraths” emerge da imensa massa que gravita neste estilo com negra graciosidade, qual enviado das profundezas, que de vez em quando nos estarrece. A par do novo trabalho dos Dwaal, esta é das melhores propostas que a Noruega mostrou ao mundo neste primeiro terço do ano.