“Dark Reality” é uma imersão ao mundo torpe, catatónico e arejado de Dopelord. Dopelord “Reality Dagger” EP

Editora: Green Plague Records
Data de lançamento: 19.02.2021
Género: stoner/doom metal
Nota: 3.5/5

“Dark Reality” é uma imersão ao mundo torpe, catatónico e arejado de Dopelord.

Relevantes no seu próprio nicho e conquistando cada vez mais novos aficionados e terrenos, os polacos Dopelord chegam a 2021 oferecerendo ao mundo mais uma parcela da sua música altamente lisérgica, pessimista e poderosa, totalmente guiada pela didática redigida nos anos mais primitivos do gigante ancestral de todos, os Black Sabbath. É certo que não é apenas de setentismos que este quarteto se nutre – brisa, psicadelismo e transgressões fazem parte da sua trajectória. Cada um dos seus trabalhos apresenta a banda num estágio diferente da sua evolução e numa constante busca por identidade, seguindo uma rota oposta a tantos outros inumeráveis pupilos, herdeiros e plagiadores de Tony Iommi & Cia. que, com pouca ou nenhuma criatividade, vivem a exumar riffs, bases e atmosferas criadas pelos elementais de Birmingham.

Esquivando-se desse eterno revivalismo e mais ainda de ser apenas mais uma caricatura sonora, os Dopelord mostram no novo EP “Reality Dagger” que é possível criar algo honesto, ainda que não genuíno – as regras do jogo permanecem imutáveis, as fórmulas também, mas a jogabilidade e a harmonização da alquimia podem e devem mudar, ou pelo menos, serem trazidas à adequação destes tempos.

Se o primogénito lançamento “Magick Rites”, de 2012, serviu para apresentar a banda aos entusiastas da música torta e dopada, “Black Arts, Riff Worship & Weed Cult”, lançado dois anos mais tarde, deu-lhes o devido espaço e reconhecimento dentro da cena, já com uma sonoridade bem definida e personalizada. Os trabalhos sucessores, “Children of the Haze” e “Sign of the Devil”, de 2017 e 2020 respectivamente, serviram para realçar essa personalidade com contornos definitivos.

“Reality Dagger” chega sem grandes pretensões e apresenta os Dopelord em todo o esplendor da sua essência. Tudo o que de melhor os define é depositado em três doses do mais puro néctar alucinogénio: peso e letargia, instrumental hipnotizante, viés melódico e muita viagem. “Dark Coils” e “Your Blood” mostram-se breves, mais dinâmicas e envergadas ao stoner, orientadas pela desenvoltura dos guitarristas Grzegorz Pawłowski e Paweł Mioduchowski (que também cuida das vozes, ora assombrosas, ora envolventes). A faixa que baptiza o EP é o grande destaque, não apenas pelas suas proporções agigantadas, mas também pelo azedume e crueza que possui, além do torpor que causa no ouvinte – é daquelas que entrarão facilmente no catálogo de hinos da banda e nas playlists de todo e qualquer bom fã de stoner/soom Mmtal que se preze.

“Dark Reality” é uma imersão ao mundo torpe, catatónico e arejado de Dopelord. E prova existe vida inteligente e criativa no universo paralelo da música torta.