Dawn of Solace é o projecto mais pessoal de Tuomas Saukkonen (Wolfheart). Tuomas Saukkonen (Dawn of Solace): «Havia uma tela completamente vazia por onde começar»

Dawn of Solace pode não ser um nome que faça tocar todas as campainhas à primeira – e há uma razão para isso, pois este projecto de Tuomas Saukkonen estava adormecido desde 2006 e, entretanto, o finlandês dedicou-se a outras empreitadas como Wolfheart.

Quase 15 anos depois de “The Darkness”, o compositor ressuscitou o seu projecto mais pessoal e recuperou até si a voz de Mikko Heikkilä, vocalista com quem já tinha colaborado em Black Sun Aeon e que antes ficara conhecido com os agora extintos Sinamore.

Mesmo que seja algo mais pessoal, Dawn of Solace não foge muito da sonoridade que Saukkonen sempre nos habituou, por isso o novo álbum “Waves” possui uma sonoridade que cruza doom e gothic metal com algum melodic death metal, ainda que, neste caso, esse último rótulo seja menos existente.

A Metal Hammer Portugal falou com Tuomas Saukkonen, que começou por dizer que «é óptimo poder fazer regressar Dawn of Solace do túmulo depois de ter sido forçado a enterrá-lo devido a questões insuperáveis ​​de editoras em 2006». «Portanto, no geral, estou feliz por estar a dar entrevistas sobre um segundo álbum que está apenas uma década atrasado. [risos]»

A pergunta mais básica e comum seria sobre quais os motivos que levaram o músico a demorar tanto tempo para lançar um novo disco com Dawn of Solace, mas agora, que o livro está reaberto, valerá muito mais a pena perceber o que nos reserva o futuro. «Agora tenho uma editora [Noble Demon] muito melhor com a banda e não há obstáculos legais para lançar mais músicas de Dawn of Solace – por isso, não vejo razões para que não haja um terceiro álbum no futuro.» A estrada é, por consequência, outro objectivo a cumprir: «Também vamos tocar em alguns festivais e concertos de sala neste Verão para que os Dawn of Solace sejam activos como uma banda ao vivo. Wolfheart continuará a ser a prioridade #1, mas não roubará todo o meu tempo, portanto também haverá espaço para Dawn of Solace.»

Atrás foi mencionada a colaboração com o vocalista Mikko Heikkilä, e foi precisamente para aí que a conversação se encaminhou, com o finlandês a afirmar que o seu compatriota era a sua «única escolha». «Fico feliz por ele ter querido juntar-se a mim no novo álbum, já que eu não tinha mais ninguém em mente com quem quisesse trabalhar ou ser a voz dos novos Dawn of Solace. Adorei trabalhar com o Mikko no passado, nos álbuns de Black Sun Aeon, e agora também adorei. Como já trabalhámos juntos em quatro álbuns, formamos uma equipa muito boa e, devido à ligação pessoal que temos, sou capaz de escrever letras mais honestas.»

Sobre o que ouvimos em “Waves”, Saukkonen esclarece que «todas as músicas foram compostas durante 2019 e a maioria das músicas e letras foi escrita no estúdio durante as gravações», portanto nenhuma ideia antiga foi aproveitada, confidenciando: «Usei todas as ideias para o segundo álbum de 2007 [que não aconteceu] na estreia de Black Sun Aeon, então havia uma tela completamente vazia por onde começar.» «Foram sessões muito impulsivas e criativas, e acho que o fluxo natural também pode ser ouvido no álbum», remata.

«Foram sessões muito impulsivas e criativas.»

Tuomas Saukkonen

Tuomas Saukkonen sempre nos ofereceu uma abordagem artística possuidora de uma assinatura muito particular para que as suas criações soem fatais e tristes, havendo, ainda assim, sempre uma luz e uma melodia brilhantes que funcionam paradoxalmente bem – e não há nisto qualquer libertação espiritual. «Expresso a minha tristeza em vez de libertá-la e acho que o tom certo de luz/esperança de algumas melodias é apenas um belo pensamento para alcançar o lado leve das coisas e das letras, e o estado de espírito triste esmaga esse sentimento. Para mim, escrever músicas e letras não funciona como um processo de limpeza. Isso apenas dá forma à minha tristeza e solidão.»

Já no fim pretendemos finalmente descobrir se Fernando Ribeiro (Moonspell) estava, de facto, na calha para empregar a sua voz no segundo álbum de Dawn of Solace que deveria ter saído algures em 2007 ou 2008. «É apenas um mito», prontifica. «Naquela altura, conversámos um pouco sobre um projecto em conjunto, mas nunca foi em frente.»

“Waves” foi lançado em Janeiro de 2020 pela Noble Demon. Acede à nossa análise AQUI.