É criação com o seu quê de arrojado, avanço da expansão de horizontes, de novas texturas, mas com alguma rede debaixo deste trapézio. E... Dark Fortress “Spectres from the Old World”

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 28.02.2020
Género: prog/black metal
Nota: 4/5

Quase seis anos após o colossal “Venereal Dawn”, não há que negar que as expectativas estavam em alta relativamente ao que V. Santura e seus comparsas iriam criar, e esta longa espera não ajudou nada… E será que valeu a pena? Bem, dependerá sempre do ângulo de análise sobre este “Spectres from the Old World”. Poderemos dizer que é uma continuação do caminho traçado em “Ylem” e “Venereal Dawn”, principalmente a partir deste último segundo a banda, embora com a recuperação de momentos de puro black metal em “Coalescence”, o tema-título ou “Pulling At Threads”, e outros em que a toada mid-tempo continua a prevalecer, havendo até espaço para explorar os terrenos do doom, “The Spider In The Web”, “Isa” e “In Deepest Time” são bons exemplos da conjugação desses elementos e da qualidade das composições que podemos ouvir ao longo dos 58 minutos deste álbum.

Também pode ser visto como um trabalho baralha-e-volta-a-dar, dada a conjugação de estilos que aqui nos são servidos, atravessando os vários álbuns da banda e recolhendo daí alguns elementos para a construção deste registo. E pode ter mais uma infinidade de leituras. Mas uma coisa é certa, “Spectres from the Old World” não soa a bafiento nem requentado, tem um lote de temas de elevada qualidade, num equilíbrio muito eficiente, nunca deixando que se torne aborrecido. Não, não estamos perante uma obra de excelsa impetuosidade e risco como foi “Venereal Dawn” – vai lá buscar muita coisa e aninha-se um pouco mais junto de “Ylem” -, mas sempre com “Eidolon” e “Seance” pelo canto do olho.

É criação com o seu quê de arrojado, avanço da expansão de horizontes, de novas texturas, mas com alguma rede debaixo deste trapézio. E não deixa de ser bom, daqueles que apetece deixar em repeat durante algum tempo, porque há coisas novas a descobrir a cada audição.