Numa altura em que o black metal está a passar por uma fase de aparente popularidade, especialmente devido à ascensão do post black metal,... Dani Filth (Cradle of Filth): «Nunca pensámos que éramos satânicos, achámos que era engraçado.»

Numa altura em que o black metal está a passar por uma fase de aparente popularidade, especialmente devido à ascensão do post black metal, à actividade mundial dos Mayhem e à exibição do filme “Lords of Chaos”, o lado criminoso do estilo musical tem também as suas revisitações, pois, no passado mês de Abril, várias igrejas foram incendiadas nos EUA e na Nova Zelândia. Quem sempre esteve ligado ao black metal pela música e pela teatralidade inerente foi Dani Filth, vocalista de Cradle of Filth, que, à mesa de um bar, teve uma conversa com a Metal Hammer e parte da qual repercutimos no momento em que o inglês fala precisamente sobre as igrejas incendiadas e a infame camisola “Jesus is a c*nt”.

«Do que eu gosto nessa época é a paixão por isso; achava que era muito excitante. Um tipo de Colchester tentou incendiar uma igreja, e fomos culpados por isso. Obviamente [incendiar igrejas] era ridículo. Sou amigo de todas as pessoas daquela cena, e não me lembro de alguém ter dito ‘sim, foi excelente’. Todos disseram ‘éramos idiotas, éramos garotos’. Um amigo meu vive a poucos passos da primeira igreja incendiada em Bergen, e ele sabe que é uma coisa idiota.» Dani acabou por dar os passos certos na vida: «Estou mesmo contente por não ter sido apanhado no meio daquilo tudo, porque podia ter sido.» «Imagina acordar a pensar: ‘bem, acabei de incendiar uma igreja, vou para a prisão 25 anos, sou um idiota’», conclui Dani Filth sempre com o seu humor negro.

Dani e a sua banda podem nunca ter estado envolvidos em actividades criminosas, mas não se livraram de polémicas que eles próprios criaram. No topo da lista está, claro, a camisola com a inscrição “Jesus is a c*nt”. «Acho que é hilariante», admite cerca de 20 anos depois. «Foi uma declaração anárquica. Nunca pensámos que éramos satânicos, achámos que era engraçado. Chorámos quando pensámos nisso e quando o tipo fez a impressão chorámos ainda mais. A minha esposa trabalhava em impressões de t-shirts na minha cidade natal; imprimiram o original e ela foi despedida por isso.»

Por todo o sucesso, será que Dani Filth está feliz com a vida que tem? «Estou muito feliz com a minha vida para ser honesto, adoro. Quando era criança nem sonhava em estar aqui a conversar convosco. Estou muito feliz. Tenho dinheiro suficiente; não é muito, mas impede que trabalhe no Burger King. E faço o que quero fazer todos os dias da minha vida. Nalguns dias chego a acordar às nove e meia da manhã!»

“Cryptoriana – The Seductiveness of Decay”, de 2017, é o álbum mais recente de Cradle of Filth com lançamento pela Nuclear Blast.

Consultar o artigo original em inglês.