Não pensem demasiado. Se derem umas gargalhadas e abanarem a cabeça, ficamos todos a ganhar. Caso contrário, seguir em frente – os Commando não... Commando “Love Songs #1… (Total Destruction, Mass Executions)”

Editora: Firecum Records
Data de lançamento: 13.04.2020
Género: crossover
Nota: 3/5

Não pensem demasiado. Se derem umas gargalhadas e abanarem a cabeça, ficamos todos a ganhar. Caso contrário, seguir em frente – os Commando não se devem aborrecer muito.

Sem contacto há 25 anos, Rui Vieira (Machinergy, Baktheria, Miss Cadaver) e José Alexandre Graça (Extrema Mutilação Auditiva, M.A.D.) decidiram, em 2017, reunir-se para lançarem um álbum. Durante três meses fecharam-se numa sala em Moscavide para compor e ensaiar 16 músicas que foram, seguidamente, gravadas num estúdio na Calçada de Carriche, em Lisboa. Dessa união nasceu “Love Songs #1… (Total Destruction, Mass Executions)”, um álbum de crossover descomprometido, praticamente a prestar homenagem às influências dos dois músicos, em que não faltam alusões sonoras a bandas como Ratos de Porão.

Mas para já, vamos pôr isto em pratos limpos: Commando é para rodar e curtir sem preconceitos. O som da dupla é directo, sem rodeios, sem artimanhas, com riffs e bateria debitados na mais pura vontade de fazer música pesada e rápida. Não esperes mais do que isso, apenas tens de te deixar levar sem compromisso, uma atitude que a banda demonstra descaradamente. Contudo, isto não quer dizer que “Love Songs #1…” não seja sério. Ou melhor: de facto não é sério, mas é à séria, bem tocado e com um propósito. O propósito, esse, é mandar cá para fora uma carrada de ideias que podem funcionar sem termos de examinar tudo ao detalhe. Para isso mais vale irmos ouvir Dream Theater ou Porcupine Tree.

Mas ainda há uma outra postura, a conceptual, que vale a pena referir e que, provavelmente, é o grande cerne deste disco: a comédia e o sarcasmo. Olhando para o alinhamento, lemos coisas como “Moshpitas”, em que Rui, no meio do turbilhão crossover, grita incessantemente que há uma intro, mas o José não quer saber – «Epá, estava aqui concentrado a fazer esta merda. Não te importas de repetir?». Ou “Não Queremos Um Split Com Agathocles”, que dura seis segundos com uns “foda-se!” pelo meio. Já “Buh You’re Dead” remetemos para o chavão tantas vezes dito pelos de fora (‘epá, para que é que ele está tão chateado a cantar?’), e nós, deste lado da barricada, fiéis à cena, costumamos pensar: ‘deves pensar que tens muita piada…’

“É Isso Não Mexas Mais” é thrash inviolado (thrash com H, não esquecer!), com breaks de bateria e riffs de guitarra já ouvidos milhentas vezes – mas a intenção é mesmo essa: gozar com os outros e connosco, imaginando pernas grossas estranguladas em calças justas e elásticas. Mais à frente, “Black Thrash Dos 80’s” segue as mesmas pisadas, debruçando-se sobre, isso mesmo, black/thrash dos anos 1980, ora com grunhidos ora com falsetto, sempre com um speed do caraças.

Por isso, minhas amigas e meus amigos, não pensem demasiado. Se derem umas gargalhadas e abanarem a cabeça, ficamos todos a ganhar. Caso contrário, seguir em frente – os Commando não se devem aborrecer muito.