Os Centinex, que este ano celebram 30 anos de carreira, mostram que ainda estão aí para as curvas. Centinex “Death In Pieces”

Editora: Agonia Records
Data de lançamento: 29.05.2020
Género: death metal
Nota: 3/5

Os Centinex, que este ano celebram 30 anos de carreira, mostram que ainda estão aí para as curvas.

Apesar de não ter sido particularmente sublime, “Subconscious Lobotomy”, do distante ano de 1992, dava muito boas impressões sobre as intenções deste colectivo: death metal directo, in your face, na linha da cartilha que estava a reger uma série de excelentes lançamentos ao longo desses anos (Dismember, Sinister ou Entombed, por exemplo). Fruto de uma série de circunstâncias, os trabalhos seguintes não conseguiram superar a estreia ou seguir linhas que mantivessem a banda no pelotão da frente da cena. Em 2006, fez-se silêncio. Em 2014, Martin Schulman, único membro da formação original, ressuscitou o projecto e, desde então, este “Death In Pieces” é o terceiro registo.

A equação não tem variado desde então, pautando-se por trabalhos curtos, mas brutos e impiedosos, muito bem equilibrados entre temas que certamente farão o gáudio do moshpit e outros a penderem para o mid-tempo com uns laivos de groove. E estas dez faixas não fogem em nada a essa matriz, mesmo com a alteração de quase todo o line-up (com excepção de Schulman, claro está).

“Only Death Remains” abre as hostilidades em ritmo apressado, depois acompanhada por “God Ends Here” e “Human Torch”. Já “Derelict Souls” apresenta-se como o momento mais catchy (sim, é estranho usar este termo para um registo de death metal…) e “Tomb Of The Dead” segue as mesmas pisadas mas sem o mesmo impacto. A segunda parte do álbum continua na mesma cadência – tema mais rápido, tema mais compassado –, mas sem acender a chama que outros trabalhos do género trouxeram nestes últimos anos e, no fundo, apesar de bastante competente, não se distancia significativamente de “Doomsday Rituals” ou “Redeeming Filth”.

Os Centinex, que este ano celebram 30 anos de carreira, mostram que ainda estão aí para as curvas, escrevem boas malhas de death metal, mas sem o fulgor de “Subconscious Lobotomy” ou “Reborn Through Flames”. Trazem mais um punhado de temas que agradarão aos indefectíveis, entreterão os melómanos durante aquela meia hora, mas depois contam-se pelos dedos as malhas que ficam na memória após algumas audições. E é uma pena que assim seja, que saiba a meat and potatoes.