Cientes de como se ouve música nos dias de hoje, os Cannonball Ride estão a apostar em EPs como "Lock And Load". Cannonball Ride: munição carregada

Género: metalcore
Origem: Áustria
Último lançamento: “Lock And Load” (EP, 2019)
Editora: independente
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Entrevista e review: Diogo Ferreira

Cientes de como se ouve música nos dias de hoje, os Cannonball Ride estão a apostar em EPs como “Lock And Load”.

« Estamos ansiosos por sair e fazer o que estamos aqui para fazer: tocar música.»

Actualidade: «Desta vez, foi realmente sobre criar músicas a sério com estrutura e ganchos. Tentamos colocar os Cannonball Ride numa posição mais sofisticada e adulta sem seguir certas regras do género e sem copiar as bandas que costumamos ouvir nos últimos anos. As pessoas podem esperar um EP diversificado, com refrãos para cantar em uníssono, bateria e guitarras fortes, e uma orientação furiosa nas letras e vozes.»

Indústria: «Pegámos no melhor que pudemos e compactámos isso num EP. Nunca pretendemos fazer um álbum com isto. Achamos que as pessoas, hoje em dia, ouvem música de forma diferente. A maioria tem faixas únicas nas suas playlists e há quem já não ouça álbuns inteiros. É mais importante fazer vídeos de música apropriados do que desperdiçar todos os recursos a criar novas músicas. Isso é, de facto, um pouco triste – mas é assim que vemos a situação agora.»

Sonoridade: «Primeiro de tudo, tocamos música em conjunto há mais de 10 anos. Antes disso, um dos nossos guitarristas tocou numa banda de death metal, enquanto outros três tocaram numa banda de ska-punk. Não é fácil encontrar um terreno comum com uma mistura como esta, mas depois começámos com um set de metalcore. Ficámos marcados por esse rótulo, embora pensemos que já não se encaixa na nossa música. Preferimos descrever o que fazemos com o termo mosh n’ roll. Mas basicamente compomos o que gostamos e tocamos aquilo que nos faz felizes.»

Influências: «Ninguém quer soar a esta ou àquela banda, e quase todas as bandas afirmam ter o seu próprio som. Mas quer se goste quer não, quando se trata de música, todos somos influenciados pelo que ouvimos até certo ponto. O que podemos dizer sobre Cannonball Ride é que cada um de nós tem as suas próprias preferências musicais. E acreditem ou não, alguns de nós nem ouvimos metal. Com o nosso lançamento actual, tivemos a oportunidade de trabalhar com Tue Madsen, que fez vários discos de alto nível com bandas internacionais muito conhecidas. Acho que, no final, pode-se dizer que ele é responsável pelo som do nosso álbum. Tudo o que queríamos dele era fazer isto enorme, e achamos que ele fez um bom trabalho.»

Futuro: «Acho que é tudo sobre dar concertos. Fazer um disco e ir para estúdio vários dias por semana pode ser stressante. Mas há sempre a perspectiva maior que te mantém no caminho. Começa-se a compartilhar o que se faz com outras pessoas, começa-se a executar em palco aquilo no qual tens vindo a trabalhar. Isso é uma espécie de colheita para os músicos. Colhes o que semeias. E nós, literalmente, estamos ansiosos por sair e fazer o que estamos aqui para fazer: tocar música.»

Review: Algures pelos meandros do groove, do metalcore e do post-hardcore, esta banda austríaca apresenta-se contemporânea, com uma sonoridade que poderá angariar fãs mais novos que queiram uma porta de entrada para este universo que é o metal. Os refrãos abertos e catchy digladiam espaço com as estrofes mais agressivas, com especial destaque para as guitarras – portanto, tudo bem equilibrado e capaz de possuir audiência.