Depois de dois EPs – “Death Thy Lover” (2016) e “House of Doom” (2018) -, os históricos do doom metal, Candlemass, regressaram finalmente aos... Leif Edling (Candlemass): «O regresso do Johan Längquist é realmente uma atracção»

Depois de dois EPs – “Death Thy Lover” (2016) e “House of Doom” (2018) -, os históricos do doom metal, Candlemass, regressaram finalmente aos álbuns com “The Door to Doom”. Aquele que poderia ser apenas mais um álbum de uma mítica banda, não é – este 12º longa-duração representa o regresso do vocalista original, Johan Längquist, e inclui ainda a participação do padrinho Tony Iommi numa faixa. Sobre tudo isto, sem esquecer a vinda ao Vagos Metal Fest, a Metal Hammer Portugal apresenta a visão de Leif Edling na primeira pessoa.

Os fãs esperaram sete anos por um novo longa-duração; no entanto, os Candlemass lançaram dois EPs de sucesso recentemente. Os EPs estão em ascensão porque são lançamentos com menor duração e mantêm os fãs mais próximos das bandas e vice-versa. Quão importante vês a existência de EPs hoje em dia e como é que eles ajudaram os Candlemass neste passado recente?
Gosto de EPs em vinil desde o seu auge nos anos 80. Judas Priest, Motörhead, Ozzy, [Iron] Maiden, Dio… Cenas muito porreiras. Então, também o fazemos um pouco com Candlemass. É uma boa ponte entre algo novo para os fãs ouvirem e o álbum completo. Tenho certeza que o EP “Death Thy Lover” ajudou a banda a conseguir mais concertos e a estabelecer a carreira. Os recentes concertos de Candlemass foram muito bem-sucedidos. Talvez não totalmente por causa de “Death Thy Lover”, mas um lançamento assim ajuda a promover uma banda, [porque] garante que se esteja na mente dos fãs e da comunidade metal.

Podemos dizer que a principal atracção do novo álbum é o regresso do vocalista original Johan Längquist. Como é que isso aconteceu e como é que foi estar em estúdio 30 anos depois?
O regresso do Johan é realmente uma atracção. [risos] É notável tê-lo de volta 32 anos depois! Fez um trabalho tremendo no álbum, parece que nunca esteve fora. Mas também devo dizer que o material de “The Door to Doom” é óptimo. Assim, as duas coisas combinadas fazem um superdisco. [risos] Eu estava lá com Johan, no estúdio. É um prazer trabalhar com ele – é dócil, extremamente fácil de se trabalhar. Humilde e muito profissional também. Pegámos nas músicas uma por uma. Tentei coisas diferentes. Acho que o resultado soa fantástico! Chegámos a uma encruzilhada com Candlemass. Tinha que fazer alguma coisa. O Mats [Levén] era óptimo como vocalista, mas dentro de Candlemass as coisas não estavam bem. Especialmente para mim. Muito trabalho, e-mails, problemas, tretas. Eu só queria sair. Mas os outros membros sentiam-se como eu. Então, para melhorar as coisas e salvar a banda, trouxemos o Johan de volta. Para nos divertirmos novamente, para voltar às raízes do doom. Não há ressentimentos com o Mats, apenas tivemos que fazer isto – unir as coisas pela última vez.

Dirias que os vocalistas podem ser o calcanhar de Aquiles em Candlemass? No entanto, sempre fizeram óptimas escolhas quando as mudanças tinham que acontecer, sendo Mats Levén uma escolha recente.
Sim, vocalistas são certamente o nosso calcanhar de Aquiles. Como os bateristas de Spinal Tap. [risos] Mas ficam muitos anos se contarmos – o Robert [Lowe] esteve 5, o Mats esteve 6-7. Mas peço desculpas pelas muitas mudanças de vocalista. Se não é por causa duma coisa, é por outra. E devo dizer novamente que o Mats fez um óptimo trabalho em Candlemass. Só queríamos voltar ao básico de tudo. Com o Johan teremos outra grande versão de Candlemass, uma muito verdadeira. Espero que seja a última… e que dure! [risos]

Os Candlemass são conhecidos pela sua veia épica; no entanto, parece que a banda está a ficar mais sombria do que épica à medida que o tempo passa. Concordas? Tem algo a ver com envelhecimento?
Não sei. Nunca pensei muito nisso. Acho que o “Epicus Doomicus Metallicus” [1986] é muito negro, e atmosférico também. Há muito de bom versus mau nele. Um pouco como agora. Algo que não temos hoje é o elemento de fantasia. Já não leio fantasia – mas “Game Of Thrones” é óptimo -, então já não tenho essa peça do puzzle. Há mais realidade agora. Há muita inspiração nisso. Estamos num mundo de merda, e está a ficar mais negro…

Tony Iommi (Black Sabbath) é o padrinho dos riffs doom e o seu papel no metal é inegável. Quão brutal foi ter uma pessoa como ele num álbum de Candlemass, a tocar na faixa “Astorolus – The Great Octopus”, tendo em conta que estamos perante ‘A’ banda de doom metal de um lado e ‘O’ mestre do riff do outro?
É de doidos! Ainda belisco o meu braço várias vezes ao dia. É verdade? Mas é. Perguntámos-lhe [se queria participar no álbum] – o nosso agente mandou um e-mail – e passado algum tempo tivemos um sim do agente pessoal dele. Isto ainda é tão difícil de enxergar. Deus está a tocar a minha música! Quais são as probabilidades? Mas isto prova uma questão: se apontares às estrelas, algo pode acontecer.

Stoner e doom metal ergueram-se impressionantemente nos últimos 10-15 anos. Tendo em conta que os Candlemass andam por cá desde meados dos anos 80 e que geralmente as pessoas mais velhas são aquelas que ensinam os mais jovens, o que é que aprendeste com as bandas de sangue novo que estão a aparecer?
Boa pergunta. Não sei. Tenho ciúmes da energia que elas têm. Quem me dera ter um bocado disso. Geralmente saímos com malta mais nova e fazem muitas perguntas. Na maior parte das vezes sinto-me como um tio velho ou algo assim, a ensinar aos mais jovens isto e aquilo, como lidar com editoras, publicações, merch, etc.. Não sei se eles me ouvem ou não! [risos] Não ter pressa é um bom conselho. Os humildes herdarão a terra…

Neste Verão visitam Portugal para um concerto no Vagos Metal Fest. Do que é que mais gostas em Portugal e quais são as expectativas para o resto de 2019?
Nunca estive em Portugal com os Candlemass, mas várias vezes como turista. Gosto do vosso país. Óptima comida, vinho do Porto, bonitos edifícios antigos. Queria poder comprar uma pequena casa na costa. Lisboa é uma grande cidade, com ambiente fresco – mal posso esperar por lá ir novamente! Este é o meu objectivo para 2019, e o da banda também: tocar em todos os lados e passar um bom bocado!