História incrível, música fantástica - é assim que podemos caracterizar "Zychodia", o novo álbum do multifacetado Bryan Eckermann que nos conta tudo nesta... Bryan Eckermann: sci-fi metal

Género: melodic/technical death/black metal
Origem: EUA
Último lançamento: “Zychodia” (2019)
Editora: independente
Links: Facebook | Bandcamp
Entrevista e review: Diogo Ferreira

História incrível, música fantástica – é assim que podemos caracterizar “Zychodia”, o novo álbum do multifacetado Bryan Eckermann que nos conta tudo nesta entrevista.

«Vejo este novo álbum como algo que precisaria de vários filmes para ser adaptado completamente.»

Objectivos: «O meu objectivo é alcançar novos fãs e continuar a crescer, e com “Zychodia” sinto que criei o meu melhor álbum até hoje. Sempre produzi os meus álbuns, mas desta vez contratei um produtor externo, o Joshua Lopez (Widowmaker Studios), para tratar disso, para ajudar a reforçar o som tanto quanto possível, e acertou em cheio. Também pedi ao Kobey Lange (Cerebral Profanation, Scars Of The Flesh), bom amigo e colega de banda em projectos passados, para ajudar a escrever o massivo conceito de ficção científica. Eu tinha apenas uma pequena estrutura do que havia em mente e ele deu vida a todas as músicas. Trabalhamos juntos há quase 15 anos, então este processo foi mágico. As pessoas podem esperar uma jornada intensa a nível musical e lírico, que engloba um total de 74 minutos, valendo a pena cada minuto.»

Conceito: «Não posso dar muitos detalhes sem escrever, pelo menos, um mini-conto de tamanho considerável, por isso vou guardar isso para o ouvinte decifrar. Os CDs físicos conterão um livreto completo com as letras. Posso dizer que a história gira à volta de um astronauta que deixa a Terra para procurar um novo planeta para ajudar a salvar a existência da humanidade. Ao fazê-lo, encontra uma raça alienígena e através de muito tormento, sacrifício, horror, assassinato e vingança, ele eventualmente perde-se no processo. Quando finalmente regressa à Terra, encontra um planeta morto. Era ele parcialmente culpado por isso? Ouçam o álbum e descubram…»

Evolução: «“Zychodia” é o meu quinto lançamento a solo (um dos álbuns foi só covers). Acredito que cada álbum melhorou muito em relação ao anterior. Até ao “The Haunting At Helmbrook” (2016) não me queria focar em fazer álbuns conceptuais. Esse álbum foi mais um com temática de terror (do tipo King Diamond). “Zychodia” traz um elemento diferente e muito maior para cima da mesa. Vejo este novo álbum como algo que precisaria de vários filmes para ser adaptado completamente, de modo a contar todos os pequenos detalhes. O som também melhorou muito, sendo este o meu álbum mais complexo, onde se incluem músicas com ritmo mais rápido e riffs técnicos, assim como uma carrada de camadas para ter uma produção sonora mais completa. Quanto à voz, sinto que tenho ido a um novo nível, ao cantar com muito mais intensidade; e quase todas as músicas possuem pelo menos uma parte ou duas com voz de Kobey Lange, que escreveu todas as letras e história.»

Influências: «Tenho muitas influências para dar nomes assim rapidamente, mas algumas das principais, que eu sinto que serem um pouco mais proeminentes na minha composição, são: Arch Enemy, Old Man’s Child, Amon Amarth, King Diamond, Immortal, Dimmu Borgir, Cradle of Filth e Iced Earth. E talvez mais 200 que me inspiram em várias ocasiões aleatórias. Ultimamente tenho ouvido Mist Of Misery, o que se pode sentir na faixa “Call Of The Abyss” de “Zychodia”, um tipo de música mais lenta e atmosférica. Outra grande nova influência é Zornheym. Quando se trata de música em geral, primeiro sou sempre um fã. Basicamente tento combinar todas as coisas que adoro no metal em algo que agrade aos meus ouvidos, e apenas espero que outras pessoas também gostem.»

Futuro: «Considerando que este projecto foi o culminar de mais de três anos de trabalho, acho que é necessário um pequeno intervalo. Eu digo sempre isso e tendo a nunca fazê-lo. [risos] Neste lançamento inclui-se um EP-bónus intitulado “Malcolm Rivers”, que tem músicas que foram escritas durante este processo de três anos mas que não se encaixam no conceito ou sonoridade; portanto decidi finalizá-las e adicioná-las como bónus do lançamento. As pessoas vão ter um álbum de 74 minutos e um EP de 30 minutos. Tenho algumas coisas novas que estão a ser trabalhadas actualmente, e planeio sempre antecipadamente, por isso temos que esperar e ver o que acontece. Direi que para os meus discos a solo, provavelmente continuarei a fazer álbuns conceptuais.»

Review: Alguém se lembra de Bal-Sagoth? É daquelas bandas que inovaram todo um estilo (black metal épico, neste caso) e ficaram sempre na sombra. Pois bem, e pegando em Bryan Eckermann, basta ouvir o início de “The Journey to Enceladus” e assistir às imagens do vídeo para, instantaneamente, nos lembrar-nos de Bal-Sagoth. A diferença mais evidente passa pelas incursões ao death metal, o que não faz de Bryan Eckermann um criador estritamente black metal. Com boa promoção, este artista norte-americano pode vir a ser uma bela cartada, mesmo que já vá com uma mancheia de álbuns.

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