Lançado a 13 de Fevereiro de 1970, o LP de estreia dos Black Sabbath, com título homónimo, é vastamente considerado o primeiro álbum de... Black Sabbath “Black Sabbath”: berço do heavy metal

Lançado a 13 de Fevereiro de 1970, o LP de estreia dos Black Sabbath, com título homónimo, é vastamente considerado o primeiro álbum de heavy metal, contendo também as bases para o que mais tarde seria rotulado como doom metal e stoner rock/metal.

Fundada em 1968, a banda de Birmingham daria o primeiro concerto em Agosto de 1969 e lançaria o primeiro disco seis meses depois. Gravado numa sessão de apenas 12 horas – algo que tanto Tony Iommi como Ozzy Osbourne afirmam -, “Black Sabbath” é visto por Bill Ward, conforme disse à Guitar World em 2001, como «um álbum absolutamente incrível» e com um «sentido de unidade absoluta». Mais detalhadamente, Iommi conta: «Fomos para o estúdio e fizemos aquilo num dia, tocámos o nosso live-set e foi isso. Na realidade achávamos que um dia inteiro era demasiado tempo, [e] depois fomos tocar, no dia seguinte, à Suíça por £20.» A gravar a sua voz numa cabine paralela ao mesmo tempo que os companheiros, Osbourne recorda na sua autobiografia “I Am Ozzy”: «Quando terminámos, demorámos umas horas a fazer o double-tracking da guitarra e da voz, e foi isso. Feito. Chegámos ao bar a tempo de pedir as últimas rodadas. Não deve ter demorado mais do que doze horas no total. É assim que os álbuns deviam ser feitos, na minha opinião.»

Com uma Fender Stratocaster, que seria substituída por uma Gibson SG (e que se tornaria imagem de marca de Iommi), o som de “Black Sabbath” possui um corpo muito característico resultante de um infortúnio. Após ficar sem as cabeças dos dedos da mão que dá os acordes, o guitarrista inglês criou umas próteses de plástico e baixou a afinação para conseguir fazer bends mais facilmente, originando um som massivo e pesado – portanto, uma das bases para o futuro stoner rock/metal. Outra semente para o stoner encontrada em “Black Sabbath” passa pelo facto de, devido à lesão, Iommi tocar as quintas em vez das quartas – assim, tocaria a solta sexta corda (nota Mi na afinação padrão) enquanto dava os restantes acordes, resultando num som mais pesado e denso do que o habitual na época.

Com uma capa sinistra, exibindo o real moinho de Mapledurham e uma misteriosa modelo de quem pouco se sabe, “Black Sabbath” era igualmente sinistro musicalmente. De temáticas ocultistas a inspirações tolkienas, o LP dos ingleses influenciava-se em blues rock, psychedelia e algum jazz, devido essencialmente à prestação de Geezer Butler no baixo e de Bill Ward na bateria. Porém, a negritude e o arranque para os rótulos heavy metal e doom metal estavam ao cargo da pesada guitarra de Iommi e da voz alarmante e fatalista de Ozzy. Num alinhamento de sete faixas (que inclui duas covers de temas de Crow [“Evil Woman”] e The Aynsley Dunbar Retaliation [“The Warning”]) destaca-se o tema-título (considerada a primeira composição de doom metal), a harmónica em “The Wizard” e o rock n’ roll cada vez mais heavy metal da melódica e orelhuda “N.I.B.”, sem esquecer a sua icónica entrada de baixo.

Porém, a opinião prevalecente dos críticos em 1970 não foi a melhor. Em Setembro desse ano, Lester Bangs, da Rolling Stone, escrevia que “Black Sabbath” era «igual a Cream! Mas pior» e Robert Christgau, na The Village Voice, identificava o disco como «treta necromante». Tudo errado, diremos nós agora, mas, como em tantas ocasiões de contra-cultura, nem toda a gente está disposta a largar visões conservadoras e comodistas, sendo, porventura, mais fácil reduzir a pó o que de novo e arriscado está a ser construído, ainda que, como “Black Sabbath”, de forma ingénua.

Claro que tais palavras não foram suficientes para travar Ozzy, Iommi, Butler e Ward, que, seguidamente, lançariam álbuns como “Paranoid” (1970), “Master of Reality” (1971), “Vol. 4” (1972) e “Sabbath Bloody Sabbath” (1973) ou “Sabotage” (1975) – todos peças fundamentais do proto-metal. Em suma, e passado décadas, é por demais evidente que “Black Sabbath” é exposto às massas como, discutivelmente, o primeiro álbum de heavy metal e, indiscutivelmente, o berço do doom metal e do stoner metal/rock.