Crus e descomplexados, os Black Coven têm a natureza nórdica em primeiro plano quando chega o momento de comporem o seu death metal melódico. Black Coven: gelo cortante

Origem: Áustria
Género: melodic death metal
Último lançamento: “Everlost” (EP, 2018)
Editora: independente
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Entrevista e review: Diogo Ferreira

Crus e descomplexados, os Black Coven têm a natureza nórdica em primeiro plano quando chega o momento de comporem o seu death metal melódico.

«Cada música representa um olhar diferente da nossa visão musical de como o melodic death metal deve ser feito.»

Objectivos: «Em primeiro lugar, o nosso objectivo era captar a música de Black Coven em todas as suas facetas. Cada música representa um olhar diferente da nossa visão musical de como o melodic death metal deve ser feito. Além disso, queríamos oferecer aos adeptos de death metal a experiência de uma gravação completamente analógica com toda a sua força e vitalidade. Tivemos a sorte e a honra de poder gravar o nosso EP com o fabuloso Anssi Kippo, nos seus estúdios Astia, em Lappeenranta, na Finlândia. E é exactamente isso que as pessoas podem esperar do EP “Everlost”: uma interpretação honesta e um pouco crua do melodeath dos anos 1990, realizada por apenas duas pessoas. Devido à aspereza da nossa apresentação, no entanto, muito charme e espírito original do exteme metal penetram no ouvinte.»

Conceito e composição: «Não há conceito especial. As músicas são construídas com vários riffs que se entrelaçam e formam a base essencial para os nossos processos de composição. Musicalmente, gostamos de manter uma estrutura rítmica básica que pulsa através das músicas, combinada com a melodia da guitarra. Principalmente, temas como mitologia escandinava, tristeza e perda encontram expressão nas nossas canções, mas a natureza nórdica está em primeiro plano. As nossas letras são compostas para enfatizar o estado de espírito já existente numa música. Geralmente, são apenas associações soltas ou sentimentos expressados através de peças frásicas. As vozes apoiam o riff de todas as formas, pois o tom, a pronúncia e a colocação adequam-se à composição musical. Também garantimos que deixamos espaço suficiente para que as secções instrumentais respirem e se desenvolvam.»

Sonoridade e referências: «Desde a nossa fundação, temos tocado como dupla. Os arranjos resultantes são, portanto, por um lado, extremamente orientados ao riff melódico, enquanto a bateria segue o estilo clássico, habitual e conciso do death metal dos anos 1990. Além disso, as vozes, dispostas numa ampla variedade, impõem energia e emoção adicionais. Actualmente, concentramo-nos em aumentar ainda mais a velocidade e a tecnologia, e implementar composições criativas. As bandas que representam os nossos modelos e que também influenciam a nossa música são Carcass, Children of Bodom, Wintersun, At the Gates, Dissection, Norther, entre outras.»

Review: O início de rompante de “Ablazing Dawn” possui reminiscências de heavy metal clássico à NWOBHM, mas logo de seguida somos surpreendidos por uma voz raivosa e demoníaca que nos faz aceitar o rótulo imposto pela própria banda – pagan metal. Com um som cru e descomplexado, o próximo passo deverá ser tornar o tom geral da sonoridade em algo mais robusto e, quiçá, atmosférico, havendo, para já, muita margem para melhoramento e desenvolvimento.