Veteranos do black metal polaco, os Black Altar apresentam as novas composições ritualistas num split com Kirkebrann. Black Altar: quando o Demónio é a segunda face de Deus

Origem: Polónia
Género: black metal
Último lançamento: “Deus Inversus” (split c/ Kirkebrann, 2020)
Editora: Odium Records
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Entrevista e review: Diogo Ferreira

Veteranos do black metal polaco, os Black Altar apresentam as novas composições ritualistas num split com Kirkebrann.

«Podem esperar alta qualidade, pura arte black metal.»

Último lançamento: «É um split, com os noruegueses Kirkebrann, intitulado “Deus Inversus”. Ambas as bandas tocam black metal – Kirkebrann em puro estilo norueguês, semelhante a Taake ou Carpathian Forest, e Black Altar tem o seu próprio estilo. Acho que o nosso estilo é mais próximo do black metal sueco, com uma dose bastante grande de originalidade. Podem esperar alta qualidade, pura arte black metal.»

Conceito: «Não existe um conceito principal em relação a Black Altar, cada música é sobre um assunto diferente. Os Kirkebrann têm as letras em norueguês, por isso não sei exactamente o que eles cantam, mas dá para imaginar que não seja nada agradável. “Deus Inversus” é uma das letras mais ocultas que já escrevi. Simplificando, para mim, “Deus Inversus” significa que Tudo é Tudo. Deus também é o Diabo, a Consciência Original que emergiu do Caos com base na adversidade. É por isso que o Diabo é a segunda face de Deus.»

Evolução: «A primeira demo “Na Uroczysku ..” foi o começo para se moldar o estilo, adquirir habilidades e conhecimentos sobre o processo de gravação. Seguidamente foi lançado o EP “Wrath of the Gods”, de 2000, no qual outros músicos se juntaram a mim e, finalmente, Black Altar teve uma formação completa. Musicalmente é puro black metal. O álbum de estreia de 2004, “Black Altar”, foi um marco na história da banda. Outros membros da banda também têm participação nas composições e a música tornou-se tecnicamente mais avançada. Este estilo continua até hoje.
Mais tarde, surgiu o segundo álbum “Death Fanaticism”, que é um desenvolvimento da ideia do anterior. O mini-álbum seguinte, “Suicidal Salvation”, foi originalmente composto para um split com Shining, mas, por razões legais, não aconteceu.
O material seguinte foi um split com Varathron e Thornspawn. As músicas foram gravadas durante a mesma sessão de “Suicidal Salvation”.
Depois há um split com Beastcraft, que foi lançado no 21º aniversário da banda, e um novo split com Kirkebrann.
Há alguma evolução lenta natural. As músicas são de melhor qualidade, mas, no geral, o cerne do estilo, os pressupostos que tive ao montar a banda e a minha paixão não mudaram.
Quanto a referências, geralmente é black metal escandinavo misturado com o nosso próprio estilo. É difícil compará-lo a qualquer banda em particular.»

Review: O último LP de Black Altar data de 2008, mas a banda tem vindo a lançar splits e EPs. O novo lançamento é um split com Kirkebrann, e nas três novas composições os polacos evidenciam o nome que ostentam ao fornecerem um black metal furioso e infernal, mas também com pitadas de melodia encapsulada nalguma dissonância e, claro, muito ritualismo, principalmente à custa de vigorosos coros. Black Altar é uma das bandas que representa o underground polaco de primeira linha.