Fundados em 2012 por Leif Edling (Candlemass), os Avatarium deram-nos a conhecer o poderio das guitarras de Marcus Jidell e a voz contagiante de... Marcus Jidell (Avatarium): «Tomam-se decisões a toda a hora, e não te podes arrepender ou desfazê-las»

Fundados em 2012 por Leif Edling (Candlemass), os Avatarium deram-nos a conhecer o poderio das guitarras de Marcus Jidell e a voz contagiante de Jennie-Ann Smith. Agora sem Edling e após três álbuns, os suecos chegam ao quarto disco “The Fire I Long For”.

A Metal Hammer Portugal chegou à conversa com Jidell que começou por falar sobre a proximidade que tem com Edling. «Para nós é um grande dom podermos fazer isto e estou muito contente pela confiança dada pelo Edling. Ele está contente por tomarmos conta da banda, eu sei isso. Aprendemos muito com ele e ele aprendeu connosco. Provavelmente trabalharemos juntos algumas vezes novamente, tanto em Avatarium como noutras bandas. É uma relação muito única e porreira a que tenho com o Edling e que a banda tem com ele. Estou satisfeito.»

“Rubicon” foi o primeiro single do álbum lançado pela Nuclear Blast e é também um dos melhores temas neste novo alinhamento – é aquela música em que percebemos logo que é Avatarium mesmo antes de Jennie-Ann Smith começar a cantar. Atravessar o Rubicão é primeiramente um momento histórico – quando Júlio César atravessou esse rio e despoletou uma guerra civil em Roma – e em segundo é uma alegoria sobre os passos que damos em frente sem retorno possível. A explicação do guitarrista sobre “Rubicon” não está muito longe da génese da expressão, enveredando ainda assim por trajectos mais pessoais. «Esta música é sobre decisões que tens de fazer. Para mim simboliza este tipo de decisões, que são muito difíceis de se tomar, e às vezes há uma parte do teu corpo que não quer que as tomes, mas tens de conseguir prosseguir a vida – ser livre, feliz, seguir em frente. É sobre terminarem-se relações. Tomam-se decisões a toda a hora, e não te podes arrepender ou desfazê-las. Penso muito nisto, porque cada pequena decisão vai afectar a tua vida no futuro.»

Embora os álbuns de Avatarium não sejam plenamente conceptuais, pode dizer-se que, ainda assim, partilham de um cerne dentro de si mesmos. Por exemplo, “Hurricanes and Halos” (2017) debruçava-se sobre lutas interiores, sonhos, pesadelos e, claro, perda. Por seu turno, “The Fire I Long For” tem a ver com as referidas decisões e, novamente, com perda, que é o elo de ligação entre todos os discos dos suecos. Mais uma vez, Jidell opta por fazer explicações tendo como base a sua vida: «Perdemos familiares nos últimos três anos – é claro que isso afecta as letras e a música que se compõe. Há um ano e meio tive um filho, e é claro que isso afecta a maneira de pensar. Temos vivido situações tristes e extremamente felizes. Ainda hoje estava a pensar… A minha mãe faleceu há um ano e meio, era austríaca, e tinha um temperamento dos grandes – podia ser muito querida mas de repente podia estar mesmo muito chateada, ela tanto podia ser como um dia solarengo como de repente ser trovoada e chuva. Então estava a pensar que se calhar é isso que estou a fazer com Avatarium, porque a música pode ir do gentil, suave e terno ao poderoso extremo. Pensei que se calhar é esse temperamento da minha mãe que estou a trazer para a música. É só um pensamento engraçado que tive hoje…»

“The Fire I Long For” tem data de lançamento a 22 de Novembro de 2019 pela Nuclear Blast e a review ao disco pode ser lida AQUI.