Uma equipa de investigadores, em que se inclui os portugueses Dr. Luís Ceríaco (curador do Museu de História Natural e da... Investigadores portugueses dão nome de James Hetfield a nova víbora
Ilustração: Arthur C. Wandeur

Uma equipa de investigadores, em que se inclui os portugueses Dr. Luís Ceríaco (curador do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto) e a estudante Mariana Marques (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos), descreveram uma nova espécie de Víbora Africana Arborícola, baptizando-a como Atheris hetfieldi, em honra de James Hetfield, o frontman dos Metallica.

Avistada nas regiões tropicais de África, este tipo de víbora venenosa habita os ramos das árvores. Quanto à morfologia, a víbora, que pode chegar aos 52cm, é caracterizada por uma cabeça triangular, grandes olhos laterais e escamas fortes que lhe dão a aparência de um dragão.

Para além do aspecto heavy metal, o que muito influenciou o nome dado, os autores tinham dois objectivos em mentes: consciencializar para o facto de que grande parte da biodiversidade terrestre ainda não foi descrita e homenagear a banda cujas músicas já os acompanharam ao campo tantas vezes. «Estamos a perder biodiversidade a um ritmo assustador e rápido, e muitas espécies podem ficar extintas antes de sabermos que existiram», explica o Dr. Ceríaco. Conforme observado, «ao contrário da ideia difundida de que a biodiversidade da Terra já é bem conhecida e estudada, as estimativas actuais apontam para o facto de existirem muitas mais espécies à espera de uma descrição formal do que aquelas que já são conhecidas e descritas».

Sobre a postura mais descontraída da investigação, as músicas dos Metallica têm acompanhado Dr. Ceríaco e Mariana Marques ao longo das suas vidas académicas e científicas. «À noite, depois de um dia exaustivo de trabalho de campo, nada melhor do que uma boa e velha música dos Metallica para alimentar a moral do grupo em campo», nota Ceríaco. «Isso e suportar as dores do mundo académico!», acrescenta Mariana Marques.

O documento científico pode ser visto aqui.