“Kaikuja” é um álbum que investe na revisitação de diferentes subgéneros do metal extremo contagiado por uma energia poética e criativa que se expande. Ashtar “Kaikuja”

Editora: Eisenwald
Data de lançamento: 15.05.2020
Género: black/doom metal
Nota: 4/5

“Kaikuja” é um álbum que investe na revisitação de diferentes subgéneros do metal extremo contagiado por uma energia poética e criativa que se expande.

“Kaikuja” é uma palavra finlandesa que significa “ecos”. Ashtar é um nome associado a teorias visionárias que defendem a existência de um batalhão extra-terrestre liderado por Ashtar Sheran, um defensor das sociedades galácticas que luta pela defesa do seu equilíbrio e que fará parte dos “Kapelitas Exilados” – o grupo de extra-terrestres que conseguiu escapar à destruição do planeta Kapel Ha. Agora que esperamos ter conseguido a vossa atenção, passemos a outro planeta.

Os suíços Nadine Lehtinen e Marko Lehtinen formaram Ashtar em 2013, e apresentaram o álbum “Ilmasaari” (2015). Uma estreia que surpreendeu a crítica e o conterrâneo Tom Gabriel Fischer (Celtic Frost / Triptykon), que os incluiu na sua lista pessoal dos dez melhores do ano. Ao segundo álbum, o casal demonstra toda a sua versatilidade ao assumir a gravação entre si de todos os instrumentos. As letras são da responsabilidade de Nadine, que se inspira na força feminina da Natureza para discorrer sobre os poderes dos elementos, invocar seres místicos e criaturas fantásticas, e debruçar-se sobre algumas questões do domínio do esoterismo.

“Aeolous” abre de rompante ao ritmo avassalador da bateria acompanhada pelo frenesim das guitarras com tremolo e uma vocalização demoníaca em reforço do ambiente hostil e opressivo, até ceder perto dos dois minutos e intercalar esse ciclo com um groove mais lento e obscuro até ao final deste tema de puro black metal. “Between Furious Clouds” estende-se por quase um quarto de hora em contraste absoluto com o tema anterior: começa com o lamento do violino de Nadine, num registo ambient, e rende-se à cadência macabra do doom sob a influência hipnótica do drone e à enérgica marcação do baixo, à medida que é consecutivamente interrompido por vocalizações guturais e pelas explosões violentas do black metal mais visceral. Daqui em diante entramos na segunda metade de “Kaikuja”, ou seja, nos vinte minutos restantes. “Bloodstones” é um tema de elevada categoria, o que melhor sintetiza e reflecte a atmosfera que envolve toda esta gravação, mas peca pela posição em que surge indexado, quando os Ashtar gastaram os trunfos todos nas duas primeiras faixas. O mesmo se passa com “The Closing” e a última “(She) Is Awakening”, que não desiludindo, e apesar de assegurarem com igual intensidade a manutenção da atmosfera construída na primeira parte do álbum, dificilmente vos irão surpreender.

“Kaikuja” é um álbum que investe na revisitação de diferentes subgéneros do metal extremo contagiado por uma energia poética e criativa que se expande, abrindo caminhos inventivos a partir do black metal, doom e sludge por entre combinações rítmicas e melódicas diversificadas que absorvem características do drone, metal gótico, post-rock e post-punk.