Profunda e esmagadora aventura. Árstíðir lífsins “Saga á tveim tungum II”

Editora: Ván Records
Data de lançamento: 22.05.2020
Género: black metal
Nota: 3.5/5

Profunda e esmagadora aventura.

Como uma espécie de projecto paralelo em relação a Helrunar (a voz de Marcel Dreckmann é reconhecível a léguas), o trio Árstíðir lífsins dedica-se inteiramente à história e mitologia nórdica.

Ao quinto álbum, intitulado “Saga á tveim tungum II: Eigi fjǫll né firðir”, a banda prossegue a narrativa do antecessor “Saga á tveim tungum I: Vápn ok viðr” (2019), centrando-se no período final do reinado de Óláfr Haraldsson, monarca e santo norueguês que viveu entre 995 e 1030.

Nesta nova saga, os Árstíðir lífsins descrevem a vida de dois irmãos e as suas experiências individuais em tempos turbulentos, tudo interligado com uma esmerada pesquisa na poesia Escalda (Skáld) e Edda. Portanto, e tendo-se em conta que os títulos não deixam margem para dúvida, o colectivo assenta a sua transmissão de mensagem em islandês arcaico.

Ao longo de cerca de 74 minutos, a banda cria um ambiente muito próprio indicado para adeptos da mitologia nórdica e de metal pagão. Sim, é um álbum longo, mas também é genuíno e imersivo, tratando-se de um trabalho com um propósito que nem toda a gente achará fácil de digerir.

Com este “Saga á tveim tungum II” vamos sentir o poder avassalador de uma batalha através de longas composições, como “Sem járnklær nætr dragask nærri”, que nos apresentam uns Árstíðir lífsins densos e insanos, dominando a velocidade e a agressividade através de vozes bravas, riffs incessantes e bateria demolidora. Na quarta posição surge “Gamalt ríki faðmar þá grænu ok svǫrtu hringi lífs ok aldrslita”, a faixa mais cativante e, por conseguinte, a melhor de todas, em que somos envolvidos por bonitos e melancólicos leads de guitarra que roçam um teor épico. A sétima “Er hin gullna stjarna skýjar slóðar rennr rauð” segue uma direcção semelhante da faixa atrás referida ao apresentar leads e solos chorosos, assim como coros masculinos robustos e soturnos, mas sendo, ao mesmo tempo, violenta e incisiva. No fim encontramo-nos com “Ek sá halr at Hóars veðri hǫsvan serk Hrísgrísnis bar”, um tema de proporções épicas que dura cerca de 17 minutos e que inclui em si praticamente todos os aspectos atrás mencionados, mas actua mais como história, com estruturas e ambientes que aludem à existência de uma narrativa, do que as outras faixas.

Para além do black metal atmosférico e rigoroso, como os invernos nórdicos, neste disco ouvem-se também instrumentos acústicos que coloram toda esta profunda e esmagadora aventura. Por outro lado, e para a maioria deverá ser a ala do álbum menos sedutora e mais complicada de absorver, há vários (se calhar até demais) interlúdios que funcionam como rituais, como experiências sensoriais e de introspecção.